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Vereadores aprovam pedido em favor da fosfoetanolamina

Produto não passou por teste clínico; diretor de instituto de cancerologia orienta que pacientes interrompam uso da substância

Rene Moreira, Especial para O Estado

21 Outubro 2015 | 22h33

A Câmara Municipal de São Carlos, no interior de São Paulo, aprovou por unanimidade nesta terça-feira, 20, um pedido de apelo à Comissão de Saúde do Congresso Nacional para que marque com urgência uma audiência com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na qual será pedida a regulamentação da fosfoetanolamina sintética. O órgão é composto por 21 parlamentares. A substância tem gerado polêmica por ser usada, sem teste clínico, como remédio no combate ao câncer. Especialistas afirmam que não há comprovação da eficácia do produto. 

Uma mulher que usa a fórmula, mediante liminar obtida na Justiça, esteve na tribuna e pediu aos vereadores apoio para que os testes em humanos, visando transformar a substância em remédio, comecem imediatamente.

Identificada como Bernadete, ela diz que apresentou melhora desde junho. "Esta substância tem 25 anos de pesquisa e até hoje não começaram os testes em humanos. Isso somente vai acontecer se houver um clamor da sociedade", disse.

O diretor do Instituto Paulista de Cancerologia, Hézio Jadir Fernandes Júnior, no entanto, afirma que a distribuição de um remédio só é feita após passar por processo e crivo de órgãos de regulação, como Anvisa.  

Sobre os argumentos de que falta interesse em estimular o estudo da substância e de que há um suposto complô da indústria farmacêutica, Fernandes Júnior ironiza: "A indústria farmacêutica está dando risada de tudo isso", afirma. 

O especialista garante que até mesmo a indústria é a favor de um remédio universal, mas que é impossível um único medicamento curar todo tipo de câncer. "Infelizmente, isso não tem sentido. Gostaríamos de que fosse possível, pois esse é o grande sonho da sociedade e da medicina, mas é só um sonho", afirmou.

Fernandes Júnior orienta os pacientes que estão tomando a substância a interromper imediatamente o seu uso. Ele ainda defende a proibição até que todos os exames e testes clínicos exigidos sejam realizados, o que pode demorar, em média, de 5 a 6 anos. "Claro que muitos pacientes não têm como esperar esse tempo, existe uma urgência da sociedade. Mas não se pode passar por cima dos critérios de segurança".

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