WERTHER SANTANA/ESTADÃO
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Veterinário formado em curso online não terá registro

Resolução proíbe registro a alunos egressos de graduações com mais de 20% das aulas a distância. No País, 13 universidades têm aval para curso online

Fábio Brito, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2019 | 03h00

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) aprovou nesta quinta-feira, 21, resolução que proíbe registro a alunos egressos de graduações com mais de 20% das aulas a distância. No País, 13 universidades têm aval para oferecer curso online, mas só três já têm turmas iniciadas, segundo informações do Ministério da Educação (MEC).

Sem registro do conselho, o formado fica impedido de exercer a profissão. A resolução deve ser publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias. Por ano, são entregues cerca de 8,5 mil registros a novos profissionais. 

Presidente do CFMV, Francisco Cavalcanti de Almeida diz que o curso demanda várias atividades práticas e de campo, como cirurgia e análise laboratorial, entre outras operacionais e de manejo técnico, cuja aprendizagem se dá presencialmente. Além disso, afirma, o aluno recebe treinamento para identificar queixas de pacientes que não se comunicam verbalmente.

Ainda de acordo com a nova regra, veterinários que lecionarem e contribuírem para a oferta de cursos a distância estarão sujeitos à responsabilização ético-disciplinar.

A Universidade Brasil é uma das que oferecem o curso semipresencial em Capanema e Tucuruí, no Pará, com dois encontros presenciais por semana. O curso da instituição custa R$ 1.398 mensais, com duração de cinco anos.

Em nota, a Universidade Brasil informou que a resolução é arbitrária. “Estamos caminhando para uma educação semipresencial no mundo e qualquer curso é perfeitamente possível trabalhar nesse modelo. Isso é comprovado pedagogicamente e academicamente”.

"A autorização de graduações é uma atribuição do Ministério da Educação (MEC) e o Conselho Federal de Medicina Veterinária não tem competência para barrar a adoção da metodologia a distância nos cursos, mas de vedar o registro de profissionais formados nesse modelo." 

Procurado, o MEC não se manifestou até as 20 horas desta sexta-feira, 22. A decisão do Conselho de Veterinária tem sido a saída de outras entidades de classe, principalmente da área da saúde, contra o aumento de cursos a distância. Em janeiro, o Conselho Federal de Odontologia vetou a inscrição e o registro de egressos de cursos 100% a distância. Este mês, o Conselho Federal de Farmácia proibiu registros para os cursos online.

“É um curso caro, o aluno tem a expectativa de uma sólida formação, mas acaba sendo vítima de um sistema de educação meramente mercantilista, que não garante formação de qualidade”, alerta Cavalcanti. 

Para o presidente da Associação Brasileira dos Hospitais Veterinários (ABHV), João Abel Buck, o Brasil já vive um momento de baixa qualidade na formação de profissionais em razão de uma diminuição do número de horas e disciplinas a serem cumpridas pelos graduandos. “Isso tem causado uma banalização e um aumento no número de problemas jurídicos e de conduta pela formação de baixa qualidade.” 

Para Buck, dificilmente hospitais e clínicas vão contratar profissionais que cursaram Medicina Veterinária na modalidade EaD. “Achamos que existem modelos saudáveis de ensino no mundo, como o americano. Além cumprir carga horária maior, com mais disciplinas, o profissional passa por prova para avaliar a sua graduação. Mais: os formados, a cada dois anos, precisam revalidar carteiras profissionais, por meio de pontuação (obtida através de cursos). Quem não atinge a meta, tem de refazer as provas”, afirma.

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