Viagra pode ajudar a reduzir efeitos da distrofia muscular cardíaca, diz estudo

Testes em camundongos revelaram que a droga pode melhorar a forma como o coração trabalha

Reuters

18 Outubro 2010 | 21h53

WASHINGTON - O Viagra, desenvolvido para ajudar homens no combate à disfunção erétil, pode ajudar a tratar sintomas de distrofia muscular cardíaca, segundo divulgaram pesquisadores nesta segunda-feira, 18.

Testes em camundongos geneticamente modificados para ter uma condição semelhante à Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) mostraram que a droga pode melhorar a forma como o coração trabalha. A descoberta é de Joseph Beavoa, da Universidade de Washington, e colegas da Universidade da Carolina do Norte.

Não está claro exatamente como a droga ajuda os ratos, relataram os pesquisadores na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências, mas segundo eles pode valer a pena tenta usá-lo como um tratamento para distrofia muscular.

"A DMD é uma doença genética de degeneração muscular progressiva e fatal. Pacientes têm falta da proteína distrofina, como resultado de mutações no gene da distrofina ligado ao cromossomo X", escreveram os pesquisadores.

A doença atinge aproximadamente um em cada 3.500 homens, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde (INH) americano. Devido à participação do cromossomo X, os homens são muito mais susceptíveis que as mulheres, que têm duas cópias do cromossomo X e, portanto, são suscetíveis de ter uma cópia extra do gene saudável.

Os músculos de todo o corpo se quebram à medida que o paciente cresce, incluindo o coração. Muitos morrem por insuficiência cardíaca, a maioria antes dos 40 anos.

O Viagra, conhecido genericamente como sildenafil, é vendido pela Pfizer Inc. para disfunção erétil e, sob a marca Revatio, para tratar uma doença chamada de hipertensão pulmonar. É uma classe de medicamentos chamados inibidores da PDE5, que trabalham de várias formas para aumentar o fluxo sanguíneo.

A equipe, que trabalhou com recursos do NIH e grupos sem fins lucrativos, testou o Viagra em ratos que tiveram danos no coração semelhante ao observado na distrofia muscular. O remédio retardou os danos e, em alguns casos, o problema foi revertido.

"Embora os inibidores de PDE5 não curem DMD, estudos sugerem que eles poderiam ser usados em combinação com terapias atuais ou futuras", completaram os pesquisadores.

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