Kin Cheung/AP Photo
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Vigilância bem montada evitou entrada do coronavírus em 2003, diz especialista

Médico infectologista Carlos Magno Fortaleza diz que Brasil é tão exposto como qualquer outro país que tenha contato através de viajantes com a China, mas lembra que vigilância epidemiológica é bem montada e tem a capacidade de identificar casos e responder rapidamente

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2020 | 09h00

SOROCABA - O médico infectologista Carlos Magno Fortaleza, do Departamento de Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, disse que o Brasil está exposto ao coronavírus, causador da pneumonia indeterminada que já matou 17 pessoas na China, mas tem a vantagem de possuir uma boa rede de vigilância epidemiológica. Em 2003, segundo ele, isso evitou que outro coronavírus, identificado como SARS, que se espalhou pelo mundo, entrasse no país.

“Naquele caso, a doença começou na China, passou para outros países e foi contida graças a um grande esforço internacional.”

No evento atual, ele considera que o Brasil é tão exposto como qualquer outro país que tenha contato através de viajantes com a China.

“Hoje, o mundo é todo conectado por transportes aéreos de longa distância e muito rápidos, então estamos diante de uma situação, sim, de risco internacional. O que temos a nosso favor é que nós fazemos parte de um grupo de países que têm muito bem montada a vigilância epidemiológica, a capacidade de identificar casos e responder rapidamente.”

Segundo ele, essa estrutura foi montada ao longo dos últimos 20 ou 30 anos no Brasil e hoje está bastante sólida.

“A nossa capacidade de agir rapidamente, identificar a doença e notificar os casos talvez seja a nossa maior segurança, algo que poucos países não desenvolvidos têm.”

De acordo com o especialista, as medidas iniciais tomadas pelo governo brasileiro, de monitorar aeroportos, portos e postos de fronteira, é o que se pode fazer, de acordo com as normas da Organização Mundial de Saúde.

A expectativa agora é sobre a decisão da OMS de se considerar ou não a situação de emergência de saúde pública de importância internacional.

“Quando isso é decretado, todos os países são chamados a colaborar na vigilância de aeroportos, portos e fronteiras, em um trabalho conjunto. O que temos hoje e que não tínhamos no passado é uma capacidade enorme de comunicação. A maior parte dos países que têm uma estrutura melhor de saúde pública já está em alerta.”

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O que temos hoje e que não tínhamos no passado é uma capacidade enorme de comunicação
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Carlos Magno Fortaleza, infectologista da Unesp

Fortaleza lembra que não existe segurança absoluta de que a doença não chegue ao Brasil.

“O que podemos fazer é utilizar bem os nossos controles e nossa capacidade de identificar e diagnosticar os casos. A China é um país enorme, mas os casos estão vindo especificamente de uma região, da cidade de Wuhan. A história mostra que condutas como restringir voos e fechar fronteiras não evita que uma doença se localize no país. Os Estados Unidos fizeram isso para conter o ebola, mas o ebola entrou a partir de imigrantes ilegais. O que faz o Brasil, que não fecha a fronteira e trabalha com a informação, é muito mais eficaz.”

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O que faz o Brasil, que não fecha a fronteira e trabalha com a informação, é muito mais eficaz
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Carlos Magno Fortaleza, infectologista da Unesp

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