Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Superlotado, hospital referência na zona leste tem de fechar alas

Vigilância Sanitária autuou Santa Marcelina por falta de profissionais e problemas estruturais; UTI e quimioterapia foram afetadas

Ana Paula Niederauer, Priscila Mengue e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2017 | 11h20
Atualizado 05 de dezembro de 2017 | 23h31

SÃO PAULO - Parte do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) do Hospital Santa Marcelina, instituição filantrópica de referência em Itaquera, na zona leste de São Paulo, está suspensa desde terça-feira, 5. O fechamento ocorreu após a unidade, superlotada, ser autuada pela Vigilância Sanitária Estadual por falta de equipe e problemas estruturais.

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O pronto-socorro (PS) da unidade está com parte do atendimento suspensa. Também houve interdição parcial da ala de internação cirúrgica, do Ambulatório de Quimioterapia e de uma das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) adulto - todos de atendimento exclusivo do SUS. Já serviços privados e para convênios estão normais.

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Na unidade, há 24 mil atendimentos mensais - 87% pelo SUS. O PS Clínico tem 20 leitos, mas atende 50 pacientes diariamente, em média. O PS Cirúrgico tem 14 e atende 40. Nesta terça, uma funcionária estava no PS adulto, instruindo potenciais pacientes, enquanto um banner trazia a lista de 16 Unidades Básicas de Saúde e de Assistência Médica Ambulatorial que deveriam ser procuradas para atendimentos que não fossem de “emergência ou urgência”.

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“Foi constatada insuficiência de profissionais para o atendimento e problemas estruturais, tais como falta de ventilação e ausência de espaço físico adequado para acomodar os pacientes”, informou a Vigilância Sanitária. “Casos de extrema urgência devem continuar a ser recebidos pela unidade”, completa.

Segundo Marcos Boulos, coordenador de controle de doenças da Secretaria Estadual da Saúde, não é só a superlotação do espaço físico que define uma interdição. “Depende das condições de atendimento, ou seja, os recursos humanos e materiais. O hospital estava com três vezes mais pacientes do que o adequado. Isso aumenta riscos de infecções e falhas na assistência”, disse ao Estado.

O PS do SUS, disse o Santa Marcelina, não está recebendo ambulâncias. “De demanda espontânea, usuários que chegam à unidade recebem a informação da restrição no atendimento e são orientados a buscar outro serviço na região”, informou. “Casos classificados como vermelho, considerados pacientes graves, com risco iminente de morte, são admitidos e atendidos na unidade.”

 

Mudança

Para absorver a demanda, a Secretaria Municipal de Saúde disse que reorganizou a rede e deu prioridade a atendimentos de risco. Casos sem gravidade são levados a outras unidades da região. Já atendimentos de alta complexidade são feitos no hospital do Tatuapé. 

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