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Vinte e quatro Estados e DF mantêm ocupação de UTI acima dos 80%, mostra Fiocruz

Entre esses Estados, dezessete e o DF possuem taxa acima dos 90%, indicando a continuidade da pressão causada pela doença sobre o sistema de saúde nacional

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2021 | 23h35

Vinte e quatro Estados e o Distrito Federal mantêm a taxa de ocupação de leitos de UTI destinados a pacientes com covid-19 acima de 80%, mostra um boletim do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado nesta terça-feira, 30. Entre esses Estados, dezessete e o DF possuem taxa acima dos 90%, indicando a continuidade da pressão causada pela doença sobre o sistema de saúde nacional.

A lista mostra que somente o Amazonas (76%) e Roraima (62%) têm uma taxa de ocupação de UTIs abaixo dos 80%. Pará (86%), Maranhão (88%), Paraíba (84%), Alagoas (86%), Sergipe (86%), Bahia (86%) e Rio de Janeiro (88%) estão abaixo dos 90%, mas acima dos 80%, o que configura um patamar crítico, segundo classificação da Fiocruz. 

Veja a taxa de ocupação de UTIs em cada Estado

Um indicativo importante sobre a gravidade atual da pandemia está em São Paulo, aponta o relatório. O Estado conta com 111 municípios com estrutura hospitalar para o enfrentamento da doença, o que representa 26,4% das cidades do País com tal estrutura. A taxa de ocupação nas cidades paulistas está em 92%. 

“Se Amazonas/Manaus com o colapso do seu sistema de saúde constituiu um alerta do que poderia ocorrer em outros Estados, a situação hoje de São Paulo/São Paulo é um alarme do quanto esta crise pode ser mais profunda e duradoura do que se imaginava até então”, explicaram os especialistas.

A Fiocruz diz que a transmissão da covid-19 continuou apresentando aceleração no País ao longo da última semana, o que foi demonstrado por recordes nos casos confirmados e mortes decorrentes da doença. A maior quantidade de vítimas em 24 horas foi registrada nesta terça-feira, com 3.668 mortes. “A sobrecarga dos hospitais, principalmente observável pela ocupação de leitos de UTI, se mantém em níveis críticos”, reforça o relatório.

Os especialistas lembraram que medidas de restrição, como as adotadas nas últimas semanas por prefeituras e Estados, ainda não produziram efeitos significativos sobre a tendência de alta. “Esses indicadores sempre estão defasados no tempo e o crescimento do número de casos na última semana epidemiológica pode ser resultado de exposições ocorridas em meados de março”, esclarece o estudo. 

Contra o avanço da doença, os especialistas continuam a recomendar medidas em diferentes frentes. “Esforços para o fortalecimento da rede de serviços de saúde, incluindo os diferentes níveis de atenção, e mesmo a abertura de leitos de UTI são importantes. A vigilância, com ampla testagem, continua sendo um horizonte, embora até aqui muito aquém do que seria desejável. A aceleração da vacinação deve ser perseguida e perspectivas se abrem para maior disponibilização de vacinas e ampliação significativa da cobertura nos próximos meses”, apontam. 

A necessidade de ampliar a adesão a medidas rigorosas para o controle e prevenção da doença se faz mandatória, acrescentam. “Medidas de bloqueio ou lockdown por períodos específicos, combinadas com outras de mitigação envolvendo o distanciamento físico e social, evitando aglomerações e a ampliação do uso máscaras adequadas de forma correta, continuarão sendo fundamentais até que se obtenha um controle da pandemia."

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