Virologista da OMS diz que o A(H1N1) chegará ao Brasil

Marilda Siqueira, da Fiocruz, diz que ainda é cedo para afirmar que a epidemia está perdendo força

Fabiana Cimieri, da Agência Estado,

05 Maio 2009 | 19h31

A virologista da Fiocruz, Marilda Siqueira, integrante da Comissão da Organização Mundial de Saúde para o Desenvolvimento dos Planos de Contingência Nacional para Influenza, acha que ainda é cedo para afirmar que a epidemia de gripe suína está perdendo a força e acredita que é inevitável a entrada do vírus no Brasil.

 

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documento Folheto oficial do Ministério da Saúde 

 

A pesquisadora, que acaba de voltar de Genebra, onde participou de várias reuniões sobre a pandemia na OMS, inclusive da conferência que aumentou o grau da epidemia de 4 para 5, acredita que as medidas adotadas pelo México, como fechar o comércio e cancelar as aulas nas escolas por vários dias, podem ter contribuído para diminuir a transmissibilidade do vírus. No entanto, assim como o ministro da Saúde José Gomes Temporão, considera inevitável a entrada do vírus H1N1 no Brasil.

 

"Continuamos na fase 5 (uma abaixo da pandemia). Os ministérios da saúde têm que continuar em alerta. Temos a experiência do próprio vírus influenza, na Gripe Espanhola de 1918, que começou mais tranquila e meses depois voltou mais forte causando a epidemia", disse ela, em entrevista ao Estado por telefone.

 

Nos próximos 15 dias, a OMS deve divulgar o documento elaborado pela comissão da qual Marilda participa com as recomendações para os laboratórios de referência. A ideia é padronizar os procedimentos, fazendo com que todos eles usem o mesmo kit de diagnóstico, tipos de amostras clínicas, formas de processamento, informação e notificação dos resultados aos ministérios dos países e à OMS.

 

Para a pesquisadora, o que mais assusta na gripe suína é que o vírus foi descoberto quando a transmissão homem a homem já estava acontecendo. A gripe aviária (H5N1), descoberta em 2003, ainda está na fase 3 da epidemia, segundo a OMS, porque não foi comprovado nenhum caso de transmissão entre humanos, apenas de aves para homem.

 

Pelo que tem sido observado até agora, Marilda acredita que a letalidade da gripe suína será bem menor do que a da aviária. Até a tarde desta terça-feira, 5, havia cerca de 1.500 casos e 30 mortes confirmadas por gripe suína. Desde 2003, a gripe aviária contaminou 421 pessoas, das quais 257 - mais da metade - morreram.

 

"O que está ajudando agora é que estamos com um sistema de saúde muito bom, com notificações em tempo real. Esse alerta ajuda muito na contenção de uma possível pandemia, além de termos antibióticos e antivirais para realizar o tratamento", afirma.

 

 

Marilda explicou que o perigo da gripe suína é que a população ainda não foi exposta a ele, diferente do que acontece com a gripe sazonal, para a qual a maioria das pessoas tem uma resposta imune. "Mas não temos como prever se com a transmissão homem-a-homem o H1N1 também vai se adaptar e enfraquecer".

 

Ela destacou que, nos 15 dias que se passaram desde que o novo subtipo da doença foi descoberto, os cientistas conseguiram avanços importantes.

 

Através do sequenciamento do genoma do vírus, descobriu-se que ele tem componentes suínos, aviários e humanos, apesar de ainda não terem sido encontrado os porcos contaminados.

 

Além disso, já existe um kit de diagnóstico e a vacina deve demorar de 4 a 6 meses para ficar pronta.

 

Gripe comum

 

A pesquisadora ressalta que os brasileiros devem continuar cautelosos diante de qualquer gripe mais forte, mas não entrar em pânico ao menor sintoma da doença.

 

 Neste mês, como acontece todos os anos, começa a circular na maioria dos Estados o vírus da influenza sazonal (gripe). As pessoas com mais de 65 anos podem se vacinar gratuitamente nos postos de saúde. Adultos e crianças podem tomar a vacina em clínicas particulares. Os sintomas de ambas as doenças são parecidos.

 

Até  atarde desta terça-feira, 5, o Ministério da Saúde reconhecia 28 casos suspeitos da gripe suína, distribuídos da seguinte forma: São Paulo (12), Minas Gerais (3), Distrito Federal (2), Rio de Janeiro (2), Santa Catarina (2), Tocantins (2), Goiás (1), Mato Grosso do Sul (1), Paraíba (1), Pernambuco (1) e Rondônia (1). Além disso, outros 28 casos estão em monitoramento em 20 estados e 73 foram descartados.

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