Virose pode ter sido transmitida pela Sabesp, diz prefeito

Sabesp descarta problema na qualidade do abastecimento; duas praias de Mongaguá são impróprias para banho

Rejane Lima, de O Estado de S. Paulo,

09 de janeiro de 2009 | 20h39

O prefeito de Mongaguá, Paulo Wiazowski Filho (DEM), desconfia que o vírus que causou centenas de casos de gastroenterite a moradores e turistas da cidade da Baixada Santista pode ter sido transmitido pela água do mar ou pela água distribuída pela Sabesp. De acordo com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), duas das seis praias de Mongaguá - Santa Eugênia e Agenor de Campos - apresentam condições de balneabilidade impróprias. Já a Sabesp descarta qualquer possibilidade de problema na qualidade do seu abastecimento. De acordo com a prefeitura, o número de pacientes com mal-estar, vômitos e diarreias que permaneceram em tratamento no Pronto Socorro de Mongaguá por algumas horas já chega a 400. Os primeiros casos da virose ainda desconhecida foram registrados em 26 de dezembro e desde então mais de mil atendimentos de casos com os mesmos sintomas em menor gravidade já foram realizados na rede pública de saúde. Na última quinta-feira, 8, a Diretoria de Saúde do Município decidiu encaminhar para o Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, amostras de sangue e fezes colhidas dos pacientes, bem como água encanada, mineral e do mar. As análises estavam sendo feitas por laboratórios municipais, porém, a prefeitura acredita que os resultados do Adolfo Lutz serão mais rápidos e precisos. O prefeito acha que o lixo acumulado nas ruas durante a interrupção da coleta nos últimos dias da administração anterior pode ter sido levado até a praia pelas chuvas e contaminado o mar. "A informação que chegou ate nós foi a de forte odor da água do mar", lembrando ainda que, como não há banheiros nos quiosques da orla, muitas pessoas que passaram a virada do ano no local utilizaram a praia como sanitário. Já as acusações à Sabesp aconteceram por conta da tonalidade da cor da água que saia das torneiras, que, segundo o prefeito, estava mais escura. "A quantidade de chuva na cabeceira da serra foi muito grande. A Sabesp não consegue uma clorificação, uma qualidade dessa água em função de todo esse acúmulo, dessa demanda que houve", disse o prefeito. A informação foi arduamente contestada pelo Superintendente da Sabesp na Baixada Santista, Reynaldo Young, que assegura não ter havido qualquer problemas no abastecimento, bem como nenhuma reclamação da população quanto à cor da água fornecida pela empresa. "A Sabesp garante a potabilidade da água. Na Baixada Santista, mais de 18 mil análises são realizadas por mês, em diferentes pontos do sistema de distribuição. Nas estações de tratamento, o monitoramento é feito de hora em hora", afirma Young, alertando que o perigo pode estar no consumo de bicas e fontes alternativas e que muitas vezes as pessoas compram água em galões de origem desconhecida.

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