Vírus da aids consegue 'se esconder' durante tratamentos

Estudo da Universidade de Michigan revela que vírus usa células progenitoras de sangue como esconderijo

Efe,

08 Março 2010 | 14h20

O vírus da aids escapa dos tratamentos ao se esconder dentro das células progenitoras de sangue e se multiplica depois do fim de um tratamento, segundo um artigo publicado neste domingo, 7, pela revista Nature Medicine.

 

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Uma equipe de pesquisadores liderada por Kathleen Collins, bióloga da Universidade de Michigan, descobriu que as células progenitoras que se desenvolvem em células do sistema imunológico são um importante local de depósito do vírus.

 

Segundo o artigo, a infecção pode persistir apesar dos tratamentos porque o vírus continua latente dentro das células, pronto para se multiplicar quando o tratamento é interrompido. Estes depósitos de reserva celulares são resistentes à resposta do organismo e ao tratamento antirretroviral de alta eficácia administrado aos pacientes.

 

Isto significa que o vírus pode atacar os linfócitos, células que ajudam na resposta imunitária do corpo, depois do tratamento. "Há muitos casos nos quais os pacientes deixaram de tomar os remédios e o vírus reapareceu, Não há forma de suspender totalmente a administração dos medicamentos", disse Collins, principal autora do estudo.

 

O tratamento antirretroviral pode deter a propagação do vírus impedindo que o genoma viral se integre nas novas células. As combinações de remédios usadas nestes tratamentos não atacam a célula que faz cópias dos vírus, mas podem impedir que os vírus novos infectem mais células.

 

Os pesquisadores demonstraram que o vírus HIV pode atacar as células progenitoras hematopoéticas, aquelas que dão origem a todos os elementos celulares do sangue, e que são uma fonte potencial de células usadas para a correção de várias condições patológicas.

 

O grupo de pesquisadores coletou estas células de pacientes submetidos ao tratamento antirretroviral e que não demonstravam amostras detectáveis de vírus por pelo menos seis meses. Quando os pesquisadores forçaram as células a diferenciar-se em linfócitos, no laboratório, encontraram o genoma do HIV em aproximadamente 40% dos participantes do estudo.

 

Os cientistas também recolheram células da medula espinhal de pessoas saudáveis e mostraram que o vírus matava algumas das células. Em outras, ele se integrava no cromossomo celular e não se reproduzia. Estas células cresceram como se não estivessem infectadas pelo vírus.

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