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Vírus da febre amarela começa a circular no litoral norte de SP

Infecções de macacos com o vírus foram confirmadas em Ubatuba e São Sebastião; cobertura vacinal nos municípios é considerada baixa

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

04 Abril 2018 | 15h39

SÃO PAULO - A Secretaria de Estado da Saúde afirmou que a febre amarela chegou ao litoral norte de São Paulo com a confirmação de que macacos foram infectados nos municípios de Ubatuba e São Sebastião. Em Ubatuba, a morte de um homem de 41 anos com suspeita de estar com a doença é investigada, de acordo com a Secretaria de Saúde do município.

No último dia 29, houve a confirmação, após análise do Instituto Adolfo Lutz, de um macaco bugio encontrado na mata do Núcleo Picinguaba no dia 24 de março estava com o vírus. Neste ano, quatro animais foram encontrados mortos em Ubatuba e apenas um teve o resultado positivo para febre amarela - um ainda está em análise.

Com 723 casos e 237 mortes, surto de febre amarela no País já é pior do que o anterior

Nesta segunda, 2, a Santa Casa do município informou que ocorreu a morte de um paciente com suspeita de ter sido contaminado pelo vírus. " Ele havia comparecido ao pronto-socorro no sábado, 31, quando recebeu diagnóstico de virose e foi liberado. Seu estado se agravou e ele retornou à Santa Casa no domingo, 1º, quando foi internado, vindo a falecer na manhã desta segunda-feira. A Vigilância em Saúde já encaminhou materiais para análise pelo Instituto Adolfo Lutz e aguarda retorno dos exames laboratoriais", informou a secretaria. Ao todo, há três casos em humanos em investigação na cidade.

 A pasta disse que a cobertura vacinal no município ainda é considerada baixa, totalizando 47% da população. Nas regiões onde animais foram encontrados mortos, está sendo realizada vacinação casa a casa.

Em São Sebastião, houve o registro de infecção de uma macaca da espécie sagui que pertencia a uma família da capital, levada pelos donos a uma casa no bairro de Juquehy. O caso ocorreu no início de janeiro e o animal acabou adoecendo e morrendo após voltar para São Paulo. Desde o começo do ano, três macacos foram encontrados mortos no município e nenhum teve resultado positivo para febre amarela, segundo a Secretaria de Saúde do município.

Imunização contra a febre amarela precisa atingir 472 milhões no mundo

A pasta informou que a vacina está sendo aplicada casa a casa no bairro e que equipes estão fazendo a imunização em áreas perto da mata. No município, desde 25 de janeiro, 57% da população foi vacinada.

Vacinação

Diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde, Regiane de Paula diz que a chegada do vírus no litoral norte já era esperada, principalmente pela possibilidade de entrada pelo Rio de janeiro.

"Iniciamos a campanha já olhando que seria uma área de circulação do vírus. Um dos macacos foi encontrado no Parque Estadual da Serra do Mar, no Núcleo Picinguaba, que fica a 8 km de Paraty, no Rio. A gente recebeu mais animais, mas ainda não é possível falar (em infecção), porque eles estão em avaliação."

Regiane diz que a cobertura vacinal na região é baixa e que a população precisa se vacinar. "A vacina está à disposição e a gente pretende fazer a imunização em todo o Estado até o segundo semestre. As pessoas não devem esperar a morte de um macaco ou de uma pessoa para se vacinar. A febre amarela é uma doença grave."

De acordo com balanço da Secretaria de Estado da Saúde divulgado na semana passada, 5,3 milhões de pessoas foram vacinadas desde 25 de janeiro, representando 57,4% do público-alvo. Desde o ano passado, foram registrados 401 casos autóctones de febre amarela silvestre no Estado, dos quais 148 evoluíram para óbito.

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