Vírus da gripe apresentam resistência a medicamentos

Fenômeno parece ser mais freqüente na europa, mas tem ocorrido em todo o mundo sem explicação aparente

Reuters

19 de maio de 2008 | 21h21

Os vírus da gripe estão desenvolvendo a habilidade de escaparem aos medicamentos ao redor do globo. Entretanto, por que isto está acontecendo ainda não está claro, disseram especialistas em uma conferência nesta segunda-feira, 19. A europa é a mais afetada pelas cepas do vírus influenza que resiste aos efeitos dos antivirais, mas a resistência está crescendo globalmente, disseram, durante uma reunião da Sociedade das Doenças Infecciosas dos Estados Unidos.  "Uma proporção significativa dos vírus resistentes foi observada na europa neste inverno", disse Dr. Bruno Lina of Claude da Universidade de Bernard em Lyons, França.  A resistência também vária de acordo com a cepa, com um quarto dos vírus de gripe H1N1 resistentes na europa, e somente cerca de 11% nos Estados Unidos. Poucos casos de H3N2 e influenza B foram observados.  As descobertas mostra que os vírus da gripe - cuja rápida mutação já é amplamente conhecida - pode ser ainda mais imperceptível do que se pensava. Especialistas temem que os medicamentos se tornem cada vez mais ineficazes no tratamento da gripe severa em temporada ou no caso emergencial de uma nova cepa, ocasionando uma possível pandemia. Cientistas têm ressaltado a necessidade do desenvolvimento de novos remédios para gripe, além de maneiras mais rápidas e melhores de se produzir vacinas.  A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos Estados Unidos têm coletado amostras dos vírus anuais da gripe para checar sua resistência aos quatro remédios disponíveis para o tratamento da doença: amantadine e rimantadine, e as drogas mais novas Tamiflu e Relenza. Os vírus mudaram rapidamente entre 2007 e 2008, disse Lina. "Nós começamos com cerca de 10% na Europa. Em abril desse ano, 25% dos vírus testados já eram resistentes ao Tamiflu." Quando os vírus começaram a apresentar resistência às drogas mais antigas, médicos tiveram a esperança de que as novas drogas resolvessem a questão. Mas desde já a resistência está sendo observada ao Tamiflu. A equipe estou mais de 2.600 amostras de vírus da gripe de pacientes na europa e encontraram padrões de resistência que aparentemente não têm nada a ver com o uso do Tamiflu. Os pacientes não apresentavam nenhuma diferença em seus sintomas, caso infectados com os vírus mutantes.  "É difícil de entender. Eu não tenho idéia de como esses vírus apareceram", disse.

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