Ho/Reuters
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Vírus H1N1, da gripe suína, começa a sofrer mutação, aponta estudo

Linhagem ligeiramente nova já predomina na Austrália, na Nova Zelândia e em Cingapura

Reuters

21 Outubro 2010 | 20h10

WASHINGTON - O vírus H1N1, causador da gripe suína, pode estar começando a sofrer mutação, e uma linhagem ligeiramente nova já predomina na Austrália, na Nova Zelândia e em Cingapura, disseram pesquisadores nesta quinta-feira, 21.

Mais estudos são necessários para dizer se a nova cepa é mais mortal que a primeira e se a atual vacina continua garantindo total proteção, afirmaram Ian Barr e colegas do Centro de Colaboração de Pesquisa e Referência sobre Influenza (ligado à Organização Mundial da Saúde) em Melbourne, na Austrália.

"No entanto, isso pode representar o início da mais dramática deriva antigênica da pandemia de gripe A, o que pode exigir uma atualização da vacina antes do esperado", escreveram os autores na publicação online Eurosurveillance. A deriva antigênica é um processo responsável pela incapacidade de o organismo humano hospedeiro criar resistência permanente contra a gripe.

É possível que essa linhagem seja mais mortal e também capaz de infectar as pessoas que já foram vacinadas, destacaram os pesquisadores. Os vírus da gripe sofrem mutação constantemente - é por isso que as pessoas precisam de uma vacina nova a cada ano. Desde que eclodiu, em março de 2009, e foi difundido globalmente, o H1N1 tem se mantido estável, com quase nenhuma alteração significativa.

Cientistas do mundo inteiro estão de olho em todas as cepas da gripe, para o caso de uma mutação perigosa emergir. Apesar de o H1N1 não ter sido muito letal, espalhou-se globalmente em algumas semanas e matou mais crianças e jovens do que uma cepa média costuma fazer.

A OMS declarou o fim da pandemia em agosto, e o H1N1 se tornou o principal vírus de gripe sazonal em circulação em quase todas as regiões do planeta, exceto na África do Sul, onde o H3N2 e a Influenza B são mais comuns. A atual vacina sazonal protege contra H3N2, H1N1 e a cepa B.

"O vírus tem mudado pouco desde que surgiu, no entanto, nesse relatório nós descrevemos várias mudanças genéticas distintas no H1N1 da pandemia", informou a equipe de Barr. "Essas variações foram inicialmente detectadas em Singapura, no início de 2010, e posteriormente se espalharam pela Austrália e pela Nova Zelândia", explicam os autores.

As alterações ainda não são significativas, segundo eles. Mas há casos de pessoas que foram vacinadas e depois infectadas, além de algumas mortes. "Essa variante do vírus tem sido associada à dose monovalente aplicada em adolescentes e adultos em 2010, assim como a um número de casos fatais de quem a variante foi isolada", escreveram.

Apesar disso, não há informações suficientes para dizer se pode haver outros fatores que tornem os pacientes mais vulneráveis, salientaram. "Resta saber se essa linhagem vai continuar a predominar no resto da temporada de gripe na Oceania e em outras partes do Hemisfério Sul e se espalhar para o Hemisfério Norte ou simplesmente desaparecer", acrescentaram.

Segundo a OMS, 18.450 pessoas em todo o mundo morreram em decorrência do vírus H1N1, incluindo muitas mulheres grávidas e jovens. Mas, segundo a organização, levará pelo menos um ano após a pandemia terminar para que seja determinado o número real de mortos, provavelmente bem maior.

A gripe sazonal mata cerca de 500 mil pessoas por ano, 90% delas idosos em situação vulnerável, de acordo com a OMS. A pandemia de 1957 matou cerca de 2 milhões e a de 1968, 1 milhão.

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