Vírus H1N1 tem características da gripe de 1918, diz estudo

Pessoas que sobreviveram à pandemia do século passado têm mais imunidade ao novo vírus, mostra pesquisa

Reuters,

13 Julho 2009 | 14h19

O novo vírus H1N1 da gripe tem semelhanças com a cepa que causou a pandemia de 1918, com uma capacidade de atacar os pulmões maior que do vírus da gripe comum, informam pesquisadores.

 

Testes realizados em vários animais confirmam outros estudos que já haviam mostrado que o novo vírus da gripe suína pode se espalhar para além do trato respiratório superior e atingir os pulmões, o que aumenta a chance de que cause pneumonia, disse uma equipe internacional.

 

Em adição, os pesquisadores determinaram que pessoas que sobreviveram á pandemia de 1918 parecem ter uma imunidade extra contra o novo vírus.

 

"Quando conduzimos os estudos em furões e macacos, o vírus sazonal não se replicou nos pulmões", disse o líder do estudo, Yoshihiro Kawaoka, da Universidade de Wisconsin. "O vírus H1N1 replica-se significativamente melhor nos pulmões".

 

O novo vírus da gripe suína provocou a primeira pandemia do século 21, infectando mais de um milhão de pessoas, de acordo com estimativas, e matando pelo menos 500. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que ele está causando uma maioria de infecções amenas, mas Kawaoka diz que isso não significa que seja parecido com a gripe sazonal.

 

"Existe um mal-entendido quanto a esse vírus", disse ele, em nota. "Há evidência clara de que o vírus é diferente do da gripe sazonal".

 

Escrevendo na revista Nature, Kawaoka e colegas notam que a capacidade de infectar os pulmões é uma característica de outros vírus pandêmicos, especialmente o de 1918 que, estima-se, matou de 40 milhões a 100 milhões de pessoas em todo o mundo.

 

Imunidade

 

Os cientistas testaram ainda o vírus em amostras de sangue retiradas de moradores e funcionários de casas de repouso em 1999, nos EUA, Holanda e Japão.

 

Pessoas nascidas antes de 1920 mostraram forte reação de anticorpos ao novo vírus, o que significa que seus corpos "lembravam-se" de uma infecção num período anterior da vida. Essa descoberta apoia um outro estudo que também sugere que sobreviventes da gripe de 1918 têm uma proteção extra contra o novo vírus.

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