Vírus leva à morte de 22 crianças na China

Epidemia de vírus intestinal forte já atingiu mais de 3.600 crianças no país e preocupa parentes

Andrew Jacobs, do The New York Times,

02 de maio de 2008 | 18h40

Uma foco viral de rápida difusão no leste da China já matou 22 crianças, deixou doentes outras 3.600 e causou pânico entre os pais numa área pobre da província de Anhui, segundo disseram autoridades sanitárias do governo nesta sexta-feira, 2. Todas as mortes, por problemas nos pulmões e outras complicações, aconteceram entre crianças menos de seis anos, a maioria delas menores de dois anos.  O foco, causado por um vírus intestinal particularmente forte, enterovírus 71 ou EV-71, vem se espalhando pela cidade de Fuyang, no centro do país, desde o começo de março, mas as autoridades só anunciaram a epidemia nesta semana, levantando rumores sobre estarem tentando escondê-la. Nos últimos dias, a imprensa chinesa criticou duramente a reação do governo local, fazendo comparações à epidemia de SARS em 2003, que chamou grande atenção para o sistema precário de saúde na China e as tentativas oficiais de esconder os focos da doença. Na quinta-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que a doença, que se espalha no tempo quente e passa facilmente entre crianças, poderia se espalhar ainda mais nos próximos meses, de verão no Hemisfério Norte. Segundo a OMS, creches e escolas na cidade e nos arredores deveriam permanecer fechadas até que a difusão de novas infecções fosse contida. A doença começa com a febre e costuma causar aftas na boca e bolsas nas mãos, pés e nas nádegas. Comumente conhecida como uma doença de mãos, pés e boca, ela não tem relação com a febre aftosa, que atinge animais.  Não há vacina ou cura, mas a maioria dos pacientes se recupera após uma semana sem tratamento. Em diversos casos, porém, o inchaço cerebral pode levar à paralisia ou à morte. Lavar as mãos e limpar as superfícies com água sanitária reduz drasticamente a difusão do vírus.  Autoridades sanitárias em Fuyang afirmaram que mais de 970 crianças permanecem hospitalizadas, 48 delas em estado crítico. Segundo elas, a doença também se espalhou para outras três províncias próximas, com a maior concentração de vítimas - 340 casos - em Hubei. Apesar de o número de crianças infectadas continuar crescendo, o índice de fatalidade caiu substancialmente nas últimas semanas, para 0,2% contra 11% em março, de acordo com a OMS.  Pais preocupados vem lotando os hospitais em Fuyang, uma cidade pobre de 170 mil habitantes. Por telefone, um médico de um dos hospitais afirmou que os funcionários estão lidando com 200 crianças doentes. Ele disse que não houve nenhuma fatalidade nos últimos cinco dias. "Eu acredito que a doença pode ser controlada, mas é difícil tratá-la se há quaisquer complicações", disse o médico, que só se identificou pelo sobrenome, Li.  Desde o começo de abril, professores da escola infantil Dongfanghong vem utilizando desinfetantes nas crianças e nas salas de aula. Ainda assim, na terça-feira, quando as autoridades fecharam a escola, quase cem dos 500 estudantes da escola estavam sendo mantidos em casa pelos pais. "Muitos pais estão preocupados com o contágio da doença", dusse Xu Yanyan, diretora da escola.

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