Vírus que ataca crianças pode estar mais severo

Um velho conhecido dos prontos-socorros infantis ganha nova roupagem neste inverno, e parece aumentar o número de internações de bebês com problemas respiratórios no Estado de São Paulo. O VSR, sigla para vírus sincicial respiratório, aparece quando a temperatura cai e ataca de forma mais grave crianças com até 2 anos, provocando inflamação dos bronquíolos. Parte das crianças infectadas apresenta chiado recorrente no peito até os 12 anos. Normalmente, os casos registrados no Brasil são provocados pelo subtipo A. Neste ano, ganhou força o subtipo B, responsável por 70% das internações por VSR no Estado. O Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP) acompanha o VSR há 11 anos. Em 2005, ele registrou 70 internações em cinco meses de frio. Neste ano, foram 50 em apenas dois meses - a maioria do subtipo B, ao contrário dos períodos anteriores. "Ainda não chegamos ao pico da estação, que é maior em junho, e já temos mais da metade dos casos em comparação ao ano passado", diz a pediatra Sandra Vieira, da Faculdade de Medicina da USP. Alternância - "Este é um vírus emergente, que está ganhando força, e as pessoas não têm imunidade adquirida contra ele", diz Sandra. "Digamos que um vírus passou a perna no outro", disse o virologista Edson Luiz Durigon, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Ele coordena a Rede de Diversidade Genética Viral, que conta com sete laboratórios no Estado, criada para estudar o genoma principalmente de dois inimigos comuns do homem: o VSR e o influenza. Ainda é cedo para dizer que esse vírus é mais virulento do que o subtipo A. Por enquanto, o aumento do número de internações apenas sugere uma relação. Os especialistas acompanham as estatísticas com cuidado e comparam com os dados que vêm do Hemisfério Norte. "Em todo o Estado observamos uma maior incidência deste subtipo", diz. Durigon conta que esse novo vírus só foi descrito no ano passado, quando começou a pipocar no Canadá, Espanha e Argentina. A rede seqüenciou o genoma do SRV-B em circulação e estuda a mutação, que parece ter permitido que suplantasse o antigo vírus. Prevenção - Ainda não há vacinas para prevenir a infecção, e o único tratamento que existe, caro para a maioria da população, é recomendado só quando existe ameaça à vida do paciente. A recomendação dos médicos é a mesma dada para evitar a gripe: manter o ambiente ventilado, lavar sempre as mãos e evitar contato com pessoas resfriadas, fumaça e locais aglomerados. Se a criança ficar gripada, observar se os sintomas permanecem depois de os primeiros dias, e então levá-la ao médico, principalmente se ela faz parte do grupo de risco.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.