Vitamina B não reduz risco de AVC recorrente, diz estudo

Chance de sofrer derrame cerebral é semelhante em pacientes que tomaram pílulas e placebo

Reuters

04 de agosto de 2010 | 18h42

Vitaminas do complexo B são seguras, mas não protegem as pessoas que sofreram de um acidente vascular cerebral (AVC) após um ataque cardíaco ou de derrames recorrentes, segundo revela pela primeira vez um estudo publicado na revista cientícia The Lancet Neurology.

O risco total de sofrer um desses eventos - entre 15 e 17% - foi semelhante em pacientes que tomaram pílulas com vitamina B e placebo.

Até que estudos mais amplos sejam realizados, o autor da pesquisa, Dr. Graeme Hankey, da Universidade da Austrália Ocidental, em Perth, sugere que pacientes com AVC tentem reduzir o risco de novos derrames por meio de um estilo de vida saudável. Se necessário, acrescentou, medicamentos como aspirina e drogas para baixar o colesterol podem ajudar.

As novas descobertas vêm na sequência de um estudo que mostra que as vitaminas B também não protegem pessoas que já tiveram ataques cardíacos.

Desde o início da década de 1990, a esperança era que as vitaminas - mais especificamente, ácido fólico e vitaminas B6 e B12 - seriam uma forma barata e segura para proteger o coração.

Estudos haviam mostrado níveis sanguíneos elevados do aminoácido homocisteína em pessoas com doença cardíaca. Os pesquisadores especulavam que a redução dos níveis de homocisteína com ingestão de vitaminas B poderia salvaguardar o coração e diminuir o risco de AVCs.

Para provar isso, Hankey e colegas acompanharam mais de 8.000 pacientes com AVC por aproximadamente 3 anos e meio. Os pesquisadores distribuíram aleatoriamente as pessoas para tomarem vitaminas ou pílulas de placebo.

Não houve diferença nos efeitos colaterais entre os dois grupos. No grupo do placebo, 114 (3%) morreram de ataque cardíaco, em comparação aos 118 (3%) no grupo das vitaminas. Quanto ao AVC, os números foram 388 (10%) no grupo do placebo e 360 (9%) no outro.

Em um estudo dessa dimensão, Hankey disse por e-mail que não pode ser descartado que essa ligeira diferença se deva apenas ao acaso.

O neurologista Peter Sandercock, da Western General Hospital, em Edimburgo, na Escócia, disse que já estavam claro que vitaminas B não ajudam pessoas que sofreram de ataques cardíacos.

E, para pessoas saudáveis, disse ele à Reuters Health, "completar a dieta com a ingestão de vitaminas, provavelmente, nunca vai valer a pena".

Mas em editorial, Sandercock pediu novos estudos sobre derrames, que segundo ele atingem cerca de 15 milhões de pessoas por ano em todo o mundo.

"O problema é que o AVC é um grande problema global", afirmou o neurologista, que não estava envolvido na nova pesquisa. Mesmo que o efeito protetor das vitaminas B seja pequeno, você não vai querer fechar a porta para algo tão simples e barato como o tratamento com vitamina.

Ele disse que seria difícil encontrar patrocinadores para financiar estudos maiores, com 20 mil a 30 mil pacientes.

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