Vitamina D pode ser prejudicial em doses muito elevadas, diz estudo

Ingestão excessiva pode aumentar risco de câncer de pâncreas e danificar os rins, aponta relatório

AP

30 Novembro 2010 | 20h55

WASHINGTON - Embora a vitamina D ajude a fortalecer os ossos, não há evidências de que altas doses possam impedir câncer ou outras doenças, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira, 30, pelo Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

O estudo, realizado durante dois anos, pode ajudar a conter a mania das pessoas de ingerir vitaminas e também alertar que níveis elevados podem representar riscos. "Mais não é necessariamente melhor", disse a Dra. Joann Manson, da Faculdade de Medicina de Harvard, coautora do relatório.

A maioria das pessoas com idade entre 1 e 70 anos precisa consumir não mais que 600 unidades internacionais (UI) de vitamina D por dia para se manter saudável, diz o texto. Septuagenários ou mais velhos necessitam até 800 UI.

Essa quantidade é um pouco mais do que as 400 UI apresentadas nas etiquetas de alimentos por ordem do governo, e mais que as recomendações de 1997 do Instituto de Medicina, que variavam entre 200 e 600 UI, conforme a idade.

Mas o valor de 600 UI está bem abaixo do 2 mil UI diárias recomendadas por alguns cientistas, que acreditam que pessoas com baixos níveis de vitamina D correm mais risco de determinados tipos de tumor ou doenças cardíacas. "É uma grande decepção", disse o Dr. Cedric Garland, da Universidade da Califórnia, em San Diego, que não esteve envolvido no estudo e assegura que o risco de câncer de cólon, por exemplo, pode ser reduzido ingestão de suficiente vitamina D.

"Eles avançaram o suficiente? Na minha opinião, provavelmente não, mas é um passo na direção certa", afirmou o pesquisador da vitamina D Michael Holick, do Centro Médico da Universidade de Boston, que disse que os novos níveis chamam a atenção necessária sobre o debate dessa vitamina.

A vitamina D e cálcio andam de mãos dadas, e é preciso toda uma vida com ambos para construir e manter os ossos fortes. Mas estudo do painel de peritos do Instituto de Medicina concluiu que a pesquisa sobre eficácia da vitamina D sobre outras doenças é contraditória. Alguns levantamentos não encontraram nenhum efeito, ou até sinais de prejuízos.

Um estudo realizado pelo Instituto Nacional do Câncer na metade do ano foi a advertência mais recente de que a vitamina D em maiores doses não protege contra o câncer e aumenta o risco de câncer de pâncreas. Sabe-se que doses acima de 10 mil UI podem danificar os rins, e o relatório desta terça estabeleceu o limite máximo diário em 4 mil, ainda que não recomendado.

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