Vítima de Aids é amplamente discriminada na China, diz OMS

Segundo pesquisa, recusa de tratamento médico é um dos problemas que os portadores do vírus HIV sofrem

REUTERS

27 de novembro de 2009 | 15h20

Os portadores do vírus HIV que moram na China enfrentam discriminação frequente e estigma, até mesmo com funcionários da saúde por vezes recusando-se a tocá-los, de acordo com uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgada nesta sexta-feira, 27. O Ministério da Saúde da China e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) estimam que o país tenha entre 97 mil e 112 mil pessoas infectadas com a Aids.

 

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Mais de 40% das pessoas pesquisadas no novo relatório da Unaids, porém, disseram ter sofrido discriminação em razão do HIV. Mais de um décimo deles afirmaram que tiveram tratamento médico recusado ao menos uma vez.

Na entrevista coletiva para o lançamento do relatório, o ativista de Aids chinês Yu Xuan recontou a história de uma amiga que teve uma cirurgia de urgência recusada porque era HIV-positiva e, como consequência, acabou morrendo. "Não quero que as pessoas tenham o tipo de experiências que tive", disse Yu, que também tem Aids.

A China enfrenta um problema antigo no combate à doença. As autoridades já se recusaram a reconhecê-la e no país os tabus em torno do sexo permanecem fortes para muitas pessoas, limitando a discussão pública e até mesmo privada.

O vice-ministro da Saúde da China, Huang Jeifu, afirmou que o governo trabalharia de forma mais intensa para tratar das questões ligadas ao estigma e à ignorância com relação à Aids, mas admitiu que seria difícil.

"O maior obstáculo é que não há educação nem publicidade suficiente sobre a Aids. A sociedade não sabe o bastante sobre a doença e as pessoas acham que é possível contraí-la apenas pelo toque, falando, apertando as mãos ou comendo junto", disse Huang. "Esse é um problema enorme."

O governo lançará uma campanha de vídeo para romper com o estigma da Aids com a participação do jogador de basquete Yao Ming, estrela da NBA e da seleção chinesa, que aparecerá em 20 grandes outdoors em 12 cidades.

A pesquisa descobriu que algumas crianças com pais infectados, mas não necessariamente elas próprias infectadas, foram forçadas a abandonar a escola.

"Muitos dos pesquisados sabiam a quem recorrer para obter apoio contra a discriminação e agir contra os que violam seus direitos," lê-se no relatório. "Infelizmente, o índice de sucesso quando os problemas foram reclamados é muito baixo."

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