Viúva de agricultor espanhol vai à Justiça contra governos

Salvador Perez de la Cal morreu há dois dias sob suspeita de ter contraído febre amarela no Brasil

Rubens Santos, de O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2008 | 18h36

Marny Selma de Mendonça, de 31 anos, a viúva do agricultor espanhol, Salvador Perez de la Cal , 41, que morreu há dois dias sob suspeita de ter contraído a febre amarela, disse hoje que vai à Justiça com ações por danos morais, omissão e negligência contra os governos do Brasil e da Espanha: "Os governos omitiram informações sobre um surto de febre amarela em Goiás", disse em entrevista para o Estado.   "Vou à Justiça para responsabilizar estes governos e assim impedir que outros tenham suas vidas e famílias desmoronadas pelo descaso público", disse Marny. "Eles agem como se nada estivesse acontecendo", ressaltou.   Veja também: Febre amarela pode ter matado aposentada Mosquitos analisados em Brasília não têm vírus Macaco morto em Brasília não tinha febre   Paulistano espera 6 horas por vacina   Para reforçar a sua tese, revelou que seu cunhado, Javier Perez, e sua sogra, Maria Del Pilar de la Car, entraram no sábado no Brasil e, em nenhum momento, foi requerido o cartão de vacinação. "Desembarquei em São Paulo, vindo da Espanha, e depois em Goiânia, e não haviam postos de vacinação, ou agentes de saúde, e mesmo alertas sobre os riscos e as áreas de riscos da febre amarela", comentou Javier.   Myrna Selma afirmou que, sem informações adequadas, ela e o marido adentraram área de risco no município de Cristianópolis (GO), onde compraram uma gleba de terras com 169,4 hectares em região com notificação de morte de macacos por febre amarela (epizootia). A exposição à doença, acredita Marny, resultou na morte do marido, dois dias após ser internado no Hospital de Doenças Tropicais (HDT) em Goiânia.   A morte do agricultor - cujo corpo será trasladado para ser enterrado na Espanha nos próximos quatro dias - criou um clima de medo, em Goiânia. Nesta manhã, somente no Posto de Saúde do bairro de Campinas foram atendidas 3.150 pessoas.   "A maioria das pessoas não trazem o cartão e chegam nervosas, em busca da vacina, revelando medo de contrair a febre", disse Fabiana Gama, diretora-geral do Distrito. "De fato há algo no ar, achei melhor me precaver", justificou Claudinéia Vieira, que levou as filhas Janaína(16), Raissa (12) e Amanda (11) para serem vacinadas.   Em Goiás, 52 municípios estão em estado de alerta contra a febre amarela.

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