Paulo Beraldo/Estadão
Paulo Beraldo/Estadão

Vizinha da China, Índia entra em alerta por coronavírus

Segundo país mais populoso do mundo tem fronteira de mais de três mil quilômetros com a China e intensificou inspeção em aeroportos; até o momento, há oito casos suspeitos, mas nenhum confirmado ainda

Paulo Beraldo, enviado especial, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2020 | 19h16

NOVA DÉLHI - Em um momento em que o coronavírus já deixou 106 mortos e pelo menos 4.500 mil infectados na China, a preocupação global não poderia deixar de afetar um dos vizinhos mais próximos dos chineses - são quase 3.500 quilômetros de fronteiras entre os dois países. Há pelo menos oito suspeitos de contaminação em território indiano, embora nenhum confirmado. 

Até terça-feira, 28, o Ministério da Saúde informou que analisou 35 mil passageiros e que não havia nenhum caso detectado no país. Todos os oito viajaram à China nos últimos dias e estão em estado de observação. Três estão em Nova Délhi e os outros cinco no Estado de Haryana, no norte da Índia. 

"Peço que as pessoas não entrem em pânico porque o coronavírus não veio para a Índia. Estamos em alerta e tomamos todas as medidas preventivas para manter o povo seguro", disse o ministro da Saúde, Harsh Vardhan. Ele informou que todos os casos suspeitos estão sendo enviados para o Instituto Nacional de Virologia e que, até agora, foram negativos. 

Apesar da negativa, há preocupação da população do país de 1,3 bilhão de habitantes, já que a poluição das grandes cidades indianas e o inverno são fatores que prejudicam a respiração e ajudam a causar gripes, o que pode levar a sintomas similares aos do coronavírus

Nos últimos dias, a temperatura média em Nova Délhi, onde vivem 30 milhões indianos, tem oscilado entre 14º e 8º. No centro de Nova Délhi, não era incomum ver pessoas usando máscaras em regiões de grande movimento - turistas e locais. Pelo menos 20 aeroportos adotaram medidas preventivas, em especial com passageiros que vêm da China. É esse o caso em Nova Délhi, Mumbai, centro financeiro do país e de Bangalore, metrópole no extremo sul. O mesmo ocorre Calcutá, Chennai, Hyderabad e Kochi, todas grandes cidades com grande fluxo de passageiros. 

Redes de televisão, jornais e os portais de notícia do país vêm dando especial atenção ao assunto, em especial após a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar elevado o risco de contaminação internacional pelo coronavírus. O governo também pede que todos os passageiros que viajaram para a China depois de 1º de janeiro devem se dirigir a postos de saúde ou hospitais se tiverem algum sintoma como febre, tosse ou problemas respiratórios. 

O país está ampliando o número de laboratórios capacitados para analisar as amostras de exames. As autoridades federais pediram que os governos estaduais se preparem para o caso de o vírus chegar ao país. Também há preocupação com os indianos fora do país - há pelo menos 23 mil estudantes do país na China

O coronavírus teve seu epicentro em Wuhan, a sétima maior cidade chinesa, com quase 9 milhões de habitantes. mil quilômetros ao sul de Pequim. Mas se espalhou por países como França, Canadá, Austrália, Alemanha e Arábia Saudita.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.