EFE/ Carlos Ortega
EFE/ Carlos Ortega

Na contramão do Brasil, países vizinhos adotam isolamento obrigatório por coronavírus

Argentina, Chile, Colômbia e Peru determinaram a pessoas vindas de países com surto que fiquem nas suas casas sob risco de multa e outras penalidades. Medida ainda não é cogitada pelo Brasil

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 09h00

SÃO PAULO Argentina, Chile, Colômbia e Peru adotaram nos últimos dias a obrigatoriedade de isolamento domiciliar para pessoas vindas de países onde o surto de coronavírus é mais intenso. Os cidadãos deverão permanecer em casa por 14 dias sob risco de multa e outras penalidades legais, informaram as autoridades. 

A medida dos vizinhos não é algo que o Ministério da Saúde do Brasil cogita adotar imediatamente. O discurso do ministro Luiz Henrique Mandetta tem sido de cautela quanto a ações como essa. Até a noite desta quarta-feira, 11, o Brasil somava 69 casos confirmados. Na Colômbia, as confirmações chegaram a nove e são 13 os pacientes no Peru. Na Argentina, uma pessoa morreu em decorrência da doença. O Chile tem 23 casos. 

A Colômbia determinou o isolamento obrigatório de pessoas que cheguem da China, Espanha, França e Itália em uma tentativa de impedir a propagação do novo coronavírus. "Dadas as implicações de quarentena por parte da China, Itália, Espanha e França, o governo nacional adotou o isolamento preventivo de pessoas provenientes desses países para proteger a saúde coletiva", disse o presidente Iván Duque por meio do Twitter.

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O ministro da Saúde colombiano, Fernando Ruiz, detalhou que os viajantes procedentes desses quatro países deverão se autoisolar por 14 dias, que é o período específico de duração da doença e quando pode haver contágios, em seus lugares de domicílios, hoteis ou localidades de destino. 

"É obrigatório o isolamento sob pena de multa e eventualmente, em caso de reincidência, em medidas previstas pelo código penal colombiano", disse em uma coletiva de imprensa. Os estrangeiros poderão ser expulsos nessas situações. 

Às pessoas que chegaram nos últimos 14 dias, o governo colombiano recomenda o isolamento. "Em nenhum caso deve ir a locais de aglomeração massiva", adicionou Ruiz. Duque anunciou medidas de alívio econômico para setores do turismo e avaição, que sofrem com os efeitos da epidemia.  A prefeita de Bogotá, Claudia López, declarou alerta amarelo na cidade, com medidas que incluem o adiamento de todo evento público ou privado com mais de mil pessoas.

Segundo a autoridade migratória, todos os dias chegam ao país cerca de 2,3 mil pessoas (60% colombianos e 40% estrangeiros) vindos desses países; 80% deles viajam a turismo. 

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse que será obrigatória a quarentena aos cidadãos que cheguem de países onde é alta a circulação do coronavírus. "A pessoa nessa quarentena de 14 dias tem a obrigação de ficar em casa isolada. Se isso não for cumprido, estará incorrendo em um delito que é por em risco a saúde pública", disse Fernández em uma entrevista a uma rádio de Buenos Aires. 

Medida similar foi anunciada pelo Peru, que ordenou o isolamento domiciliar por duas semanas. O presidente Martín Vizcarra também alterou o início das aulas nas escolas públicas para o dia 30 de março. Muitos colégios privados, que já tinham começado o período escolar, também deverão suspender suas atividades. "Não podemos fazer um controle de todos os viajantes, mas a responsabilidade é de cada cidadão", disse Vizcarra em companhia dos seus ministros da Saúde, Educação e Economia.

Na América Central, país decreta até veto à entrada de estrangeiros

Países da América Central, com sistemas de saúde frágeis, já têm adotado medida radicais, ainda que não tenha havido escala de casos nesta região. O presidente de El Salvador, Nayin Bukele, anunciou nesta quarta-feira, 12, em cadeia de rádio e TV, quarentena em todo o território nacional e vetou a entrada de todos os estrangeiros por um mês. As férias escolares também foram suspensas por três semanas.

Já o governo da Guatemala também anunciou a proibição de entrada de cidadãos de todos os países europeus, além de China, Coreias do Sul e do Norte e Irã. 

/COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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