Voluntário que toma Truvada passou a usar camisinha com mais frequência

Voluntários vão tomar medicamento por um ano e são acompanhados, com testes de HIV e avaliações psicológicas

Isabela Palhares, Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

05 Agosto 2015 | 03h00

O programador de jogos Bruno de Souza Berti, de 24 anos, é um dos voluntários da PrepBrasil em São Paulo, desde março deste ano. Para entrar no programa, Berti teve de relatar, em questionário, quantas vezes transou sem camisinha no ano anterior. “Eu respondi que foram três. E logo no começo do programa, aconteceu uma vez de ter relações sem usar preservativo. Mas foi um descuido. Não penso em deixar de usar só porque tomo o medicamento”, afirma.   

Os voluntários permanecem por um ano na pesquisa e são acompanhados periodicamente, com testes de HIV, exames clínicos e avaliações psicológicas. A pesquisa recomenda que os participantes evitem o uso de suplementos protéicos, como whey protein, a ingestão de mais de cinco latinhas de cerveja diárias e o consumo de drogas ilícitas, o que pode alterar a eficácia do medicamento. “Os efeitos colaterais do Truvada são semelhantes a todo remédio que ataca o rim e o fígado”, explica o programador.

As restrições, no entanto, não têm exigido tantos esforços do jovem. Pelo contrário. Após ter passado por uma bateria de exames para começar a tomar o medicamento, Bruno descobriu que estava com pressão alta. O programador tem levado a pesquisa tão a sério que procurou uma nutricionista e se matriculou na academia. Tudo em nome da boa saúde.

“Por incrível que pareça, quando comecei o programa me senti mais motivado a manter minha saúde. Me recomendaram a fazer exercícios e, desde que comecei, passei a me sentir bem melhor”, conta.

Para não se esquecer de tomar o Truvada diariamente, Bruno passou a usar um despertador. Outro hábito adquirido pelo programador foi o de comunicar aos parceiros sexuais que participa da pesquisa. A intenção, explica, é passar mais segurança aos homens com quem se relaciona.

Ele conta que um dos parceiros - curiosamente, um profissional da área da saúde - ficou desconfiado por não conhecer a pesquisa. “Para a maioria não faz tanta diferença, talvez porque eles não conheçam o medicamento. E mesmo que eu fale, a gente usa camisinha, que ainda é o meio mais seguro.” 

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