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Voyager 1 torna-se primeiro artefato a sair do Sistema Solar

'A humanidade deu um passo histórico. Abriu-se uma nova era na exploração espacial', afirmou Ed Stone, responsável científico pela missão

AE, Agência Estado

12 de setembro de 2013 | 17h49

A agência espacial americana (Nasa) anunciou na quinta-feira, 12, que a sonda Voyager 1 se tornou o primeiro artefato humano a sair do Sistema Solar. “A humanidade deu um passo histórico. Abriu-se uma nova era na exploração espacial”, afirmou Ed Stone, responsável científico pela missão no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Pasadena). No anúncio, também foram divulgados os primeiros registros sonoros do espaço interestelar. 

Na prática, a Nasa confirmou os cálculos publicados pela revista Science, que apontam que a sonda entrou no espaço interestelar em agosto de 2012. Desde 2004, a Voyager explora uma região da bolha que envolve o sistema solar, onde os ventos solares se aquecem e experimentam uma grande desaceleração. No ano passado, os cientistas americanos já observavam que ela se comportava como se estivesse em plena travessia da fronteira. A dúvida era sobre quando se romperia a barreira – alguns diziam que isso poderia acontecer só em 2025.

Dois estudos deste ano causaram polêmica ao afirmar que a barreira já havia sido rompida. A Nasa repudiou os cálculos, incluindo os da Universidade de Maryland, que considerou inconclusivos. Nesses casos, os astrônomos destacavam diminuição das partículas emanadas do Sistema Solar e um crescimento da irradiação galáctica.

Agora, os cientistas da Universidade de Iowa mostraram que a densidade do plasma em torno da nave era comparável às densidades que se encontram na região interestelar. “Saltamos das nossas cadeiras quando constatamos as oscilações nos nossos dados, pois elas mostravam que a nave se encontrava em uma região totalmente nova. Ela atravessou claramente a heliopausa, a região fronteiriça”, afirmou o pesquisador Don Gurnett. 

Para John Grunsfeld, chefe de missões científicas da Nasa, “a Voyager se aventurou além de onde qualquer sonda chegou, marcando um dos sucessos tecnológicos mais significativos da história da ciência”. Uma questão que ainda intriga os pesquisadores, porém, é por que não houve alterações no sentido do campo magnético em volta do artefato. 
Histórico. Sempre ao ser indagado sobre o que virá agora, Stone cita que “a Voyager nos ensinou a nos preparar para sermos surpreendidos”. As sondas 1 e 2 monitoraram Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, além de 48 das suas luas. Já revelaram a atmosfera profunda e nebulosa de Titã, os vulcões de Io, o campo incomum magnético de Urano e os gêiseres de Tritão, além do mundo gelado que orbita Netuno, naquela que é considerada a missão mais bem-sucedida da história espacial. 

O programa foi feito inicialmente pela Nasa somente para ser uma missão de captura de imagens de Júpiter e Saturno de quatro anos e segue ativo há 36. Apesar de ter sido lançada 16 dias após a irmã gêmea, a Voyager 1 está quase 3 bilhões de quilômetros mais distante do que a Voyager 2 – que, em 13 de agosto do ano passado, se tornou a espaçonave mais antiga em atividade. Mesmo a Voyager 2 deve atravessar a fronteira do Sistema Solar em três anos. “E nada vai deter as Voyagers, que continuarão sua jornada provavelmente por milhares de anos”, ressalta o astrofísico Marc Swisdal, da Universidade de Maryland.

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