Jami Barteldes
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'Yoga restaurativa' alivia dores causadas pela dengue

Em Fortaleza, aulas aliviam dores e sequelas articulares causadas por chikungunya, zika e dengue

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2017 | 17h59
Atualizado 22 Maio 2017 | 10h59

SÃO PAULO - Em meio à epidemia de chikungunya em Fortaleza, alunos de uma tradicional escola de yoga infectados com o vírus do mosquito começaram a faltar às aulas. A "evasão" inspirou uma ideia que une alongamento e conforto: aulão de yoga restaurativa focada no alívio das dores e sequelas articulares causadas pela chikungunya, zika e dengue. 

Os donos da escola Ganesha e também professores de yoga Jamie Barteldes e Val Ortins, ambos de 31 anos, contam que no mês de abril muitos alunos na capital cearense começaram a faltar e tiveram que trancar a matrícula. Isso porque, no caso da chikunguya, as sequelas são mais graves e prolongadas, podendo durar até um ano. A prática não é indicada na fase aguda da doença, principalmente quando envolve febre. É voltada para praticantes e não-praticantes que já tenham passado pela pior etapa da doença. 

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A escola já possui aulas de yoga restaurativa na programação, mas adaptou com técnicas inspiradas no método iengar, que explora o uso de acessórios para facilitar os exercícios. "A experiência surgiu nas aulas diárias. Os alunos regulares  chegavam para as aulas e acabávamos tendo que adaptar a aula de certa forma. O método iengar dá ferramentas para trabalhar as posturas da yoga, como utilização de parede, corda, madeira, almofada, cobertores... Tudo que diminui ainda mais a intensidade com que a prática é feita. Assim, você consegue trabalhar as articulações", explica Ortins. 

Por utilizar acessórios segundo a necessidade específica de cada aluno, de acordo com a sequela, o aulão requer atenção ainda maior dos professores e, por isso, tem capacidade limitada de até 12 pessoas. A contadora Ana Cláudia Campos, de 47 anos, é uma das alunas. Ela faz yoga há seis anos e já era aluna regular do Ganesha. Ela conta que os sintomas da chinkungunya começaram a aparecer no dia 30 de março e, quase dois meses depois, ela ainda sente dores nas articulações. 

"Estou no período subagudo, que dura até três meses, e por isso buscava métodos alternativos para alongar o corpo para não depender somente dos remédios", diz. Ana Cláudia recorreu ainda à acupuntura, aplicação de ozônio nas juntas, água de alho, chá de gengibre e suco verde. 

Ela sabe que o processo vai ser lento e se trabalha para ter paciência. Inclusive porque, após seis anos de prática do yoga, a contadora já fazia as inversões (posição em que se apoia o corpo na vertical, de cabeça para baixo, com as mãos). 

"Fiquei com medo de voltar para o yoga e não conseguir fazer os movimentos. Se eu me colocar de quatro, com joelhos e mãos no chão, meu punho ainda dói. Na yoga, eu já fazia inversão. Agora, é complicado. Com a yoga restaurativa, vou reaprender. É isso que eu espero com essas limitações, pelo menos nesse período", explica. 

Na fase aguda, ela teve dificuldades de locomoção, principalmente nas pernas, e ainda nas mãos e no pescoço. Já na atual etapa subaguda, ainda sente dores no punho - ao mexer em um mouse, por exemplo. Ela também sente alguns desconfortos dos joelhos aos pés. "Como a chikungunya é uma doença que trava o corpo, eu desalinhei. Vou para o aulão tentar me alongar, me colocar em uma postura de forma leve. Você fica realmente limitado quando tem chikungunya. O yoga ajuda nisso", diz.

"Quando começamos a pensar na ideia do aulão, nos perguntamos: 'Por que não abrir também para pessoas que não sejam só alunos? Tem tanta gente sofrendo", diz Jamie. Com a grande procura de alunos regulares e não-praticantes que sofrem as sequelas da chikungunya, zika e dengue, os professores já planejam repetir o aulão de yoga restaurativa nos próximos finais de semana. 

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