HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
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Governo de SP critica recomendação de exames da OMS para coronavírus

Com transmissões comunitárias no Estado, secretaria paulista vai aguardar Ministério da Saúde para decidir sobre testes em número maior de pacientes

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 16h57

SÃO PAULO – O Estado de São Paulo vai aguardar a movimentação do governo federal para decidir se acata ou não recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), anunciada nesta segunda-feira, 16, de fazer o máximo de testes possíveis em pacientes suspeitos de contaminação pelo novo coronavírus. A Secretaria Estadual da Saúde só está fazendo testes em pacientes internados.

O coordenador da equipe do governo paulista de combate à pandemia, David Uip, disse estar "surpreso" com a recomendação da OMS, e afirmou que havia o "o mundo ideal e o mundo real", ao destacar que o número de testes a ser feitos em São Paulo seria muito grande. 

Mais cedo, nesta segunda, o diretor-geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus, defendeu que é preciso saber o número de infectados para determinar como combater o vírus. "A mensagem central é: testar, testar e testar", disse Ghebreyesus. "Você não consegue parar essa pandemia se não souber quem está infectado. Esta é uma doença séria. Embora as evidências sugiram que aqueles com mais de 60 anos corram maior risco, jovens, incluindo crianças, morreram." 

Uip afirmou que "mundo ideal é fazer o teste no maior número de pessoas. O mundo real talvez não seja esse", ao comentar a capacidade do governo paulista de acatar a recomendação. 

"Estamos seguindo as próprias orientações da organização mundial de saúde. Ela alterou a forma de trabalho com relação aos testes que devem ser realizados." Não estávamos esperando por essa determinação. "Neste momento, se nós precisássemos fazer exames na cidade de São Paulo, teríamos um número muito grande de testes. Uma coisa é disponibilizar testes. Outra é fazer os testes."

"Existe uma decisão do ministro da Saúde de ontem que os testes devem ser feitos para indivíduos internados, e para as clínicas sentinelas. É a decisão do ministro que serve para o Brasil inteiro. Serve para São Paulo e Rio de Janeiro. Então vamos ver como o ministro reage a essa situação, fundamentalmente entendendo o que é o mundo ideal e o mundo real", afirmou Uip.

O secretário de Saúde de São Paulo, José Henrique Germann, afirmou que a recomendação era uma alteração em determinação anterior adotada pelo órgão. São Paulo tem 152 casos confirmados da doença, 64% de todos os casos do País. Germann disse que serviços médicos itinerantes, como carretas que fazem atendimento para câncer de mama, estão suspensos, mas que atendimentos de outras doenças continuam a ser prestados no Estado. 

As declarações foram feitas em uma coletiva convocada pelo governador João Doria (PSDB) em que ele anunciou ampliação de restrições já anunciadas neste domingo para retardar o avanço da epidemia. Servidores públicos com férias vencidas ou licenças-prêmio a serem pagas terão de gozar dos benefícios imediatamente. Eventos promovidos pelo poder público estadual serão suspensos e viagens de servidores foram canceladas. 

No domingo, Doria já havia determinado o fechamento de museus, centros de convivência de idosos e determinado trabalho à distância, home office, para todos os servidores públicos (exceto profissionais das áreas de saúde e segurança pública). 

O governador afirmou "haverá redução" no uso do transporte público em São Paulo, mas que ainda aguardará para ver as mudanças na demanda antes de decidir pela adoção de alguma medida restritiva para os serviços do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). 

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