Zuma promete ampliar tratamento para Aids na África do Sul

A África do Sul, país com o maior número de portadores do vírus HIV no mundo, vai ampliar a partir de 2010 a abrangência dos tratamentos com antirretrovirais, disse o presidente Jacob Zuma na terça-feira.

PEROSHNI GOVENDER, REUTERS

01 Dezembro 2009 | 18h10

Zuma anunciou uma nova era no combate à Aids no país com pelo menos 5,7 milhões de soropositivos e cerca de mil mortes por dia devido à doença. O antecessor dele, Thabo Mbeki, foi muito criticado por suas políticas anti-Aids, inclusive ao questionar a própria existência da doença. Um ministro da Saúde do governo dele chegou a receitar alho e beterraba como tratamentos.

"Chega de vergonha, chega de culpa, chega de discriminação e chega de estigma. Que acabem a politização e os infinitos debates sobre o HIV e a Aids", disse Zuma em discurso por ocasião do Dia Mundial da Aids.

A partir de 2010 todas as crianças menores de um ano receberão antirretrovirais se forem soropositivas. Grávidas e pacientes com tuberculose e sintomas da Aids receberão o tratamento se a sua contagem de células CD4 for inferior a 350.

Atualmente, os hospitais públicos administram os medicamentos apenas em pacientes com sintomas graves ou com contagem de CD4 inferior a 200. Não ficou claro quantas pessoas passarão a ser tratadas e como o governo arcará com os custos.

Zuma, eleito neste ano, incentivou todos os sul-africanos a fazerem o exame da Aids, e comparou a luta contra a doença à luta contra o apartheid.

"Estou me preparando para fazer meu exame", disse Zuma, que é polígamo. "Já fiz exames de HIV antes, e conheço meu estado.Farei outro exame em breve como parte desta nova campanha. Eu peço que vocês também comecem a planejar seus próprios exames".

Ativistas elogiaram a nova postura de Zuma, muito diferente da que ele exibiu em 2006, quando confessou um caso de estupro do qual acabou absolvido - nessa ocasião, afirmou que fez sexo sem proteção com uma mulher portadora do vírus HIV, mas que em seguida tomou banho para eliminar o risco de contaminação, algo sem base científica.

O ministro sul-africano da Saúde, Aaron Motsoaledi, disse em setembro que o país não alcançaria a meta de fornecer medicamentos a 80 por cento das vítimas do HIV até 2011, devido a problemas logísticos e falta de pessoal. Na ocasião, ele disse que o programa de Aids do governo deveria ter 1 bilhão de rands a mais (135,8 milhões de dólares).

Na terça-feira, em resposta a um apelo de Zuma, os EUA anunciaram uma ampliação de 120 milhões de dólares ao longo de dois anos para ajudar na compra de antirretrovirais para a África do Sul.

Mais conteúdo sobre:
AIDS ZUMA AFRICA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.