Residentes do hospital universitário da Uerj protestam contra crise

Manifestantes questionaram o atraso no pagamento de suas bolsas e também denunciaram as condições em que trabalham

Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2015 | 20h26

Atualizado dia 22, às 16 horas

RIO - Residentes do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade Estado do Rio de Janeiro (UERJ), puseram narizes de palhaço ontem para expor a crise da instituição na porta do Palácio Guanabara, sede do governo fluminense. Parte está sem trabalhar por falta de dinheiro para a passagem e promoveram uma manifestação de protesto contra o atraso no pagamento de suas bolsas. Eles também denunciaram as condições em que trabalham.

"Falta luz e ar-condicionado toda semana, há insumos em pouca quantidade, existem enfermarias em que a gente tem de fazer reaproveitamento de seringas", disse a residente de Enfermagem Luciana Costa.

A crise na UERJ ficou mais evidente no fim do ano. Foi quando funcionários terceirizados, como faxineiros e ascensoristas, não receberam salários e fizeram uma greve. Os residentes já percebiam problemas no seu pagamento. Mas os atrasos eram de poucos dias e, sempre que aconteciam, eram comunicados com antecedência.

Neste mês. porém, as bolsas de residência, de pouco mais de R$ 2,9 mil, não foram pagas no dia 10. O atraso também atinge os bolsistas de graduação, mestrado e doutorado. Uma assembleia, marcada para as 18 horas desta quinta-feira (2), vai discutir a situação. No caso do Pedro Ernesto, o problema se agrava, porque a unidade se tornou muito dependente dos residentes.

"Servidores mesmo têm poucos", disse Luciana, após o encontro da comissão com o chefe de gabinete da Casa Civil, Claudio Pieruccetti. "Na Enfermagem, a gente tem um 'buraco' de 500 enfermeiros."

Presidente da Associação dos Residentes do Hospital Universitário Pedro Ernesto, Demetrius de Luna Lopes, contou que, na semana passada, os residentes aprovaram uma paralisação em assembleia. Entre os médicos, a adesão é de 30%, porque os demais, em sua maioria, são de áreas cirúrgicas, que seriam muito prejudicadas se todos parassem.

A crise também atinge os professores. Um dos vice-presidentes da Associação de Docentes da UERJ, Fabio Iorio, disse ao Estado que a categoria está sem reposição salarial há 12 anos. Os salários sobem apenas por progressão funcional, afirmou. A dedicação exclusiva muitas vezes, segundo ele, é concedida, mas não paga. Na ativa, são 2.279 docentes efetivos e 478 substitutos, contratados pelo regime celetista. O Ministério Público exigiu que fossem substituídos por profissionais concursados, mas os concursos são poucos, disse o professor.

Ontem à noite, a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia informou, por meio de nota, que os débitos referentes aos 18 dias de atraso no pagamento de bolsas de estudantes, residentes, pró-cientistas, assim como dos salários de professores visitantes e substitutos e dos técnicos, "serão quitados no dia 23 de janeiro". "A UERJ já emitiu as ordens de pagamento à Secretaria de Fazenda para as providências financeiras cabíveis."

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