Photo/Andre Penner
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Barra Torres chama de 'criminoso' quem espalha notícias falsas sobre a pandemia

Presidente da Anvisa alfinetou Bolsonaro em abertura de reunião sobre aval da Coronavac para crianças e adolescentes

Giordanna Neves e Matheus de Souza, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2022 | 14h33

SÃO PAULO - Em discurso repleto de críticas veladas ao presidente Jair Bolsonaro (PL), com quem tem protagonizado diversos desentendimentos, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilânci Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, afirmou ser "criminoso" espalhar notícias falsas sobre a vacinação e a pandemia da covid-19. Na abertura da reunião para avaliar dados de eficácia e segurança da Coronavac para crianças de 3 a 11 anos, o almirante mencionou o aumento no número de casos de covid entre o público infantil. 

"É impressionante ver que, em um cenário que aponta claramente para os efeitos do avanço da variante Ômicron, ainda há pessoas que dizem que a pandemia está acabando", declarou Torres. A vacina, produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, foi liberada pela Anvisa na faixa etária de 6 a 17 anos. 

Na reunião, Torres criticou pessoas "que dizem que a chegada da variante sinaliza um tempo melhor, sinaliza o fim de uma pandemia". No início deste ano, Bolsonaro sugeriu que a variante, que tem provocado um aumento de infecções e de procura por testes de covid-19 no Brasil, é "bem-vinda" e poderia sinalizar o fim da pandemia.

"Eu gostaria de saber o que as pessoas disseminadores de fake news vão fazer com os números de mais de 70% de aumento de internação de criança em UTI no dia de hoje. Será que os disseminadores de fake news vão noticiar isso também?", alfinetou.

Bolsonaro já levantou suspeitas sobre supostos interesses da Anvisa em dar aval à vacinação infantil. Na ocasião, Barra Torres publicou carta pública cobrando retratação por parte do Chefe do Executivo. Antigo aliado do presidente, Torres entrou nos holofotes depois que começou a rebater as insinuações de Bolsonaro contra a agência sanitária.

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