Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

Bolsonaro ironiza eficácia da Coronavac, mas diz que vai comprar vacina se Anvisa aprovar

'Agora estão vendo a verdade', disse o presidente após questionar apoiadores se imunizante com eficácia de 50% 'é uma boa'

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2021 | 12h01

BRASÍLIA - Em mais um episódio da disputa política com o governador de São Paulo, João Doria, o presidente Jair Bolsonaro ironizou nesta quarta-feira, 13, o índice de eficácia da vacina Coronavac, de 50,38%, pouco acima do mínimo exigido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para um imunizante ser aprovado. O produto é desenvolvido pelo Instituto Butantã, ligado ao governo paulista, que anunciou o início da vacinação no Estado no dia 25 de janeiro.

"Essa de 50% é uma boa?", questionou Bolsonaro a apoiadores ao deixar o Palácio da Alvorada, pela manhã. Como resposta, ouviu um "não" em coro do grupo. "O que eu apanhei por causa disso, agora estão vendo a verdade. Passei quatro meses apanhando por causa da vacina. Entre eu e a vacina tem a Anvisa. Eu não sou irresponsável, não estou a fim de agradar quem quer que seja", afirmou o presidente.

Segundo ele, porém, caso a agência dê aval ao imunizante, ele será comprado pelo governo federal. "A vacina que passar pela Anvisa, seja qual for, passou por lá...já temos um crédito de R$ 20 bilhões para comprar." 

O Ministério da Saúde já fechou o negócio com o Butantã para adquirir 46 milhões de doses da Coronavac, com a opção de comprar mais 54 milhões ao longo do ano. O plano do governo é receber 8 milhões de doses ainda em janeiro.

Após pressão de cientistas e jornalistas, o governo de São Paulo e o Instituto Butantã anunciaram na terça-feira, 12, que a taxa de eficácia geral da Coronavac é inferior à apresentada na semana passada por Doria, de 78%. Como o Estadão já havia revelado, a taxa mais alta referia-se somente a um recorte do estudo: ao grupo de voluntários que manifestaram casos leves de covid, mas com necessidade de atendimento médico.

Na prática, os dados indicam que a vacina reduziu em 50,38% o número de casos sintomáticos de covid entre os participantes da pesquisa e em 78% o número de infecções leves mas que precisaram de alguma intervenção médica.

A Anvisa ainda avalia se aceita o pedido do Butantã para uso emergencial do imunizante no País. Em nota, a agência informou que a análise deve ser concluída no próximo domingo, dia 17.

"Para tanto, faz-se necessária a entrega, em tempo hábil para análise, dos documentos faltantes e complementares", afirma a agência.

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