JEAN-FRANCOIS MONIER / AFP
JEAN-FRANCOIS MONIER / AFP

Capitais vão usar freezer emprestado de hospital e universidades para refrigerar vacinas da Pfizer

Brasil recebeu um milhão de doses do produto esta semana; imunizante americano exige refrigeração em temperaturas ultrabaixas

Jefferson Perleberg, especial para o Estadão

30 de abril de 2021 | 10h00

O Brasil recebeu um lote de um milhão de doses da vacina da Pfizer contra a covid-19 nesta quinta-feira, 29, que será distribuído entre  as capitais do País. Diferente das outras vacinas já usadas, que podem ser mantidas em refrigeradores comuns (com temperaturas entre 2ºC e 8ºC), o novo imunizante precisa de armazenamento em temperaturas mais baixas (entre - 65ºC e - 80ºC). Para dar conta dessa demanda logística, os governos locais têm recorrido a empréstimos de freezers de hospitais e universidades.

É o caso da prefeitura de Porto Alegre, que fez parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A instituição cedeu ultrafreezers com capacidade de até quatro milhões de frascos para garantir a conservação das vacinas em baixíssima temperatura. No primeiro lote, o Estado vai receber 32.760 doses.

“Desde dezembro colocamos à disposição do Ministério da Saúde os ultracongeladores da instituição. É um equipamento muito utilizado nas pesquisas, inclusive compramos mais cinco unidades ano passado”, afirma Geraldo Pereira Jotz, Pró-Reitor de Inovação e Relações Institucionais da UFRGS. Ele garante que a universidade usa muito o aparelho, mas é possível realocar materiais que estão distribuídos entre eles, para armazenar as doses da vacina. A instituição tem mais vinte aparelhos do tipo. "Mas nenhum deles é usado em sua totalidade. Tem três que ainda estão na caixa”, diz o pró-reitor. 

Florianópolis também vai contar com três desses equipamentos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com capacidade para armazenar 948 litros. É prevista ainda a cessão de um quarto equipamento. Os ultrafreezer foram transportados esta semana para rede de frio municipal.

Segundo o governo catarinense, na 1º remessa ao Estado serão 17.550 doses. O lote será distribuído a Florianópolis (10.530 doses) e São José (7.020 doses). "Somando as novas doses de Astrazeneca que chegam no final desta semana, devemos avançar para 62, 61 e 60 anos até semana que vem", escreveu o prefeito da capital, Gean Loureiro (DEM), no Twitter.

A Secretaria da Saúde de Sergipe vai conservar as vacinas com freezers próprios para armazenamento do imunobiológico, com temperaturas entre -15º e -20º. Além disso, se preciso, vai usar o freezer de ultracongelamento da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Conforme o Ministério da Saúde, as doses serão entregues em temperaturas entre -25ºC e -15ºC, cuja conservação pode ser feita apenas durante 14 dias. Após ser armazenada entre 2ºC e 8ºC, o prazo para aplicação é reduzido para cinco dias. A  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o transporte e armazenamento a -20ºC por um período único de até duas semanas. A vacina tem prazo de validade de seis meses quando armazenada a -75°C.

Na capital de Mato Grosso, o Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá também cedeu à prefeitura um ultrafreezer. Com capacidade de 486 litros, o aparelho pode chegar a temperatura de até - 86ºC. Ainda não foi divulgada o número de doses que serão encaminhadas à cidade. 

Bahia descentraliza estrutura com equipamentos próprios

Outra regiões fizeram as próprias compras para armazenar os produtos. A Bahia abriu licitação para 100 ultracongeladores e 30 já foram distribuídos para nove macrorregiões de saúde do Estado. "Essa é uma realidade bem diferente de outros Estados, que concentram a infraestrutura na capital", afirmou Fábio Vilas-Boas, secretário da Saúde baiano, na semana passada. 

O Paraná tem nove freezers para armazenar o imunizante - sete de ultrabaixa temperatura (-80ºC), podendo armazenar as doses por até seis meses, e dois são de temperatura de -20ºC, que podem ser usados para armazenamento inicial das doses. Conforme a Secretaria Estadual de Saúde, dois dos equipamentos já foram remanejados para o Centro de Medicamentos do Paraná, em Curitiba, para logística, armazenamento e distribuição das vacinas contra a covid.

Já o ultracongelador da Rede de Frio Central do Distrito Federal tem capacidade de 570 litros e consegue armazenar até 40 mil doses de imunizantes. A secretaria de saúde ainda fez treinamento com os responsáveis técnicos das salas de vacina e núcleos de redes de frio regionais, para ensinar o manuseio correto dos imunizantes e aprimorar condições de armazenamento e preparo das doses.

A Prefeitura de São Paulo alterou uma de suas câmaras frias, de 100 m3, para -25º. Ela terá condições de acondicionar 4 milhões de doses durante 14 dias, conforme orientação da Pfizer. O município conta ainda com outras câmaras em quatro pontos de distribuição. A capital deve receber cerca de 135.720 doses da vacina Pfizer. Segundo a orientação estadual, o município receberá as doses na temperatura entre -25ºC e -15ºC, podendo permanecer nesta faixa por até 14 dias.

Pernambuco distribuiu as remessas que chegaram esta semana da vacina Oxford/AstraZeneca e Coronavac entre os municípios, exceto Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, que receberão o lote da Pfizer. O Estado está na fase de imunização das pessoas com comorbidades - quem tem doença renal, obesos mórbidos, transplantados, grávidas, entre outros. O governo diz que tem equipamentos para guardar os imunizantes e pela condição restritiva de armazenamento, as secretarias municipais de saúde vão retirar as doses em quantidades pequenas, para cerca de quatro dias de vacinação. 

O acordo da gestão Jair Bolsonaro com a Pfizer prevê 100 milhões de doses. Foi fechado neste ano após entraves do governo na negociação no ano passado, quando 70 milhões de doses foram oferecidas e o ministério chegou a falar em "cláusulas leoninas" por parte da farmacêutica americana. O imunizante, com aplicação em duas doses, tem taxa de eficácia superior a 90%. 

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