Casos suspeitos de dengue triplicam em São Paulo em janeiro

Casos suspeitos de dengue triplicam em São Paulo em janeiro

Notificações de casos prováveis da doença aumentaram também no Sul do País; no balanço geral no País, número de suspeitas caiu

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 17h21
Atualizado 14 Fevereiro 2018 | 23h43

BRASÍLIA - A dengue volta a chamar a atenção em São Paulo. O número de casos prováveis da doença notificados nas primeiras semanas deste ano é mais do que o triplo do que foi registrado no mesmo período de 2017. Boletim divulgado pelo Ministério da Saúde mostra que o Estado contabilizou, até a terceira semana de janeiro, 2.300 pacientes com suspeita da infecção. No ano passado, no mesmo período, eram 674. O número de casos também é maior nos Estados do Sul, quando comparado com o ano anterior. 

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No Paraná, foram identificados 775 casos prováveis, ante 263 registrados no mesmo período de 2017. O mesmo foi identificado em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, mas com números bem menos expressivos. Neste ano, 49 pacientes em Santa Catarina tiveram suspeita da doença e 58 no Rio Grande do Sul. Em 2017, eram 28 e 39, respectivamente.

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Os números totais de dengue apresentados no País este ano são menores do que no ano passado. Até o momento, foram 9.399. No mesmo período de 2017, eram 16.860. Não há mortes confirmadas por dengue até o momento. Ano passado, nesse período, eram 13.

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Apesar da redução nacional, os números são vistos com cautela por infectologistas. O maior receio é o do aumento da circulação do tipo 2 da dengue, considerado como o subtipo de vírus com maior potencial de levar a forma grave da doença. A última epidemia provocada pelo Dengue 2 foi em 2008. Depois disso, ele saiu de cena. No ano passado, os primeiros sinais de que ele estava retomando forças foram notados. 

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Em dezembro, o Ministério da Saúde já admitia a tendência de reforço na circulação do Dengue 2. “A volta da circulação do Dengue 2 traz o risco de uma nova epidemia”, avisa o infectologista da Fundação Oswaldo Cruz, André Siqueira. Ele observa que, quando o vírus reduz a circulação por um longo período de tempo, aos poucos vai se formando uma nova legião de pessoas suscetíveis. 

Além da circulação do vírus que havia tempos não provocava epidemias no País, Siqueira alerta para outros fatores que acabam favorecendo a propagação do vírus. O verão deste ano tem apresentado um bom índice de chuvas o que, aliado ao calor, propicia condições ideais para o aumento de criadouros do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti.

Chikungunya e zika

De acordo com o boletim, chikungunya e zika, doenças transmitidas pelo mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti, também tiveram uma queda significativa neste ano em relação a 2017. Até o momento, o País registrou 1.505 casos prováveis de chikungunya (ante 5.1235 identificados no mesmo período do ano passado) e 131 casos de zika, bem menos do que os 1.640 casos suspeitos informados em 2017. Neste ano, há um caso confirmado de morte por chikungunya e outros dois em investigação. 

Apesar da queda geral, o Estado de São Paulo também apresentou uma elevação de casos de chikungunya, quando comparado com o mesmo período do ano passado. Até a terceira semana de janeiro, foram 105 pacientes com suspeita de chikungunya. Em 2017, no mesmo período, eram 76.

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