REUTERS/Amanda Perobellli
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Covid voltou com força e precisamos evitar festas, alerta comitê técnico do governo de SP

Grupo destacou importância de respeito ao distanciamento social; nesta terça-feira, foram registrados 293 óbitos pela doença

Renato Vieira, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2020 | 10h00

SÃO PAULO - O Centro de Contingência do Coronavírus do Estado de São Paulo, órgão ligado ao governo paulista, e a Sociedade Paulista de Infectologia divulgaram notas manifestando preocupação com o aumento de casos e mortes pela covid-19 neste fim de ano. Em documento intitulado Carta pela Vida, especialistas do comitê de contingência destacaram a importância das medidas de proteção como manter as mãos limpas, uso de máscara e álcool em gel e respeito ao distanciamento social. 

“A situação atual exige que redobremos os esforços em favor do bem coletivo. A vacina está próxima, mas enquanto ela não chega a única forma de prevenção depende de cada um de nós. Mais do que nunca é preciso do envolvimento e solidariedade de todos”, diz o texto do Centro de Contingência do Coronavírus do Estado de São Paulo. 

"A transmissão da doença retornou com força. O total de novos casos de coronavírus registrado no mês já é seis vezes maior do que em comparação à soma dos três primeiros meses da pandemia. O número de mortes é 60% superior ao total de vítimas fatais entre março e maio", acrescenta a carta dos técnicos, que têm assessorado o governo desde o início da pandemia.  

O Estado de São Paulo vem registrando aumento do número de internações pela covid. Nesta terça-feira, 29, a taxa de ocupação de UTIs era de 61,4% no Estado. Considerando apenas a Grande São Paulo, o índice sobe para 65,2%. Foram registrados 293 óbitos pela covid-19 nesta terça e 12.477 infecções. Nesta terça, o Brasil registrou 1.075 mortes pela covid, maior balanço diário desde setembro, segundo dados coletados por veículos de imprensa com as secretarias estaduais da Saúde.

"Boa parte das pessoas que transmitem o coronavírus é assintomática, por isso festas, encontros sociais e aglomerações devem ser evitados neste momento. A ação consciente de todos neste período do ano é parte vital na contenção da propagação do vírus", continua o documento. Parte dos especialistas teme que as festas de fim de ano no Brasil tenham as mesmas consequências que o feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, que resultou em uma explosão de hospitalizações. 

Já a nota da Sociedade de Infectologia também cita os municípios paulistas que desobedeceram a fase vermelha do Plano São Paulo, a mais restritiva do plano estadual de reabertura econômica, nos dias 25 a 27 de dezembro, logo após o Natal. Um decreto da gestão João Doria (PSDB) estipulou na última terça-feira, 22, que todo o Estado entrasse na fase vermelha durante essas datas e de 1º a 3 de janeiro de 2021. A Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR) notificou 19 municípios, a maioria no litoral.

"Neste momento, nós, infectologistas do Estado de São Paulo, fazemos um apelo a todos os brasileiros. Em uma pandemia, cada pessoa é responsável pela sua saúde e pela dos demais. As autoridades precisam cumprir seu papel de gestão, orientação técnica e fiscalização. Cada atitude (boa ou má) tem consequências coletivas", afirma a entidade.

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