Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Dados do Google mostram tendência variada de obediência a isolamento no Brasil

No País, a queda nas visitas a bares, cinemas e locais semelhantes ficou estável no final de abril, mas as idas aos locais de trabalho e parques voltaram a subir

Paresh Dave, Reuters

01 de maio de 2020 | 23h19

Mais pessoas ficaram em casa no Brasil, Japão e Cingapura em abril, durante aumento de novos casos de coronavírus nestes países, enquanto pessoas nos Estados Unidos e na Austrália voltaram aos parques e empregos à medida que as taxas de infecção diminuíam, segundo dados do Google.

A atualização semanal mais recente dos padrões agregados de mobilidade que o Google coletou de telefones de seus usuários apontou para um aumento da desobediência a determinações de isolamento em vigor desde março, mas uma conformidade crescente com as emitidas no mês passado.

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Os dados, publicados online pela unidade da Alphabet no final da quinta-feira, 30, compararam o deslocamento diário a locais de comércio e lazer, parques, estações de trem e ônibus, supermercados e locais de trabalho, com um período de cinco semanas, de 3 de janeiro a 6 de fevereiro.

Aparentemente, Cingapura controlou a propagação do vírus por meio de rastreamento e vigilância rigorosos de contatos, mas o Estado-nação entrou em confinamento em 7 de abril, após surto em dormitórios de trabalhadores imigrantes. As visitas a lojas e parques em Cingapura caíram cerca de 25% no primeiro fim de semana de abril e cerca de 70% no último fim de semana do mesmo mês. O comparecimento ao local de trabalho, que diminuiu apenas 20% no início de abril, caiu quase 70% na semana passada.

As tendências foram variadas no Brasil, onde o vírus começou a aparecer em bairros ricos e se transferiu para as favelas. A queda nas visitas a bares, cinemas e locais semelhantes ficou estável no final de abril, mas as idas aos locais de trabalho e parques voltaram a subir. No último dia do mês, São Paulo, o Estado mais afetado pela pandemia, registrou a taxa mais baixa de isolamento social da quarentena, com apenas 46%, desde que ela foi implementada, em 24 de março. Recomendações de isolamento permanecem em vigor no País, embora o presidente Jair Bolsonaro tenha classificado repetidamente essas medidas como extremas.

Líderes no Japão, que declarou estado de emergência em 7 de abril, fizeram um apelo para que as pessoas fiquem em casa. O deslocamento para locais em Tóquio, medido pelo Google, caiu pela metade após a declaração e permaneceu nesses níveis até o final de semana passado. Os novos casos diários em Tóquio caíram desde que atingiram o pico de 201 em 17 de abril.

As autoridades dos EUA alertaram contra o retorno ao normal muito cedo, mas os dados do Google mostraram que o tráfego para os locais de trabalho estava subindo novamente. O índice caiu apenas 48% em relação à linha de base na sexta-feira passada, depois de cair 56% em 10 de abril. Os estados do Sul e Centro-Oeste estavam liderando o caminho na retomada de padrões mais típicos.

As viagens nacionais aos locais de varejo e recreação caíram 63% em 12 de abril, mas caíram apenas 42% duas semanas depois. Os epidemiologistas esperavam fadiga com os bloqueios nos EUA, com as preocupações aumentando à medida que o tempo esquentava e as pessoas protestavam contra as ordens de abrigo no local. As taxas de infecção se estabilizaram em algumas regiões, levando os governadores na última semana a flexibilizar os bloqueios.

Na Austrália, as visitas a locais de trabalho e de entretenimento caíram 80% em meados de abril, mas se recuperaram no final de abril, quando a taxa de novos casos diminuiu.

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