Christopher Black/OMS
Christopher Black/OMS

Diretor da OMS afirma que jovens também são vítimas do coronavírus e pede conscientização

'Vocês não são invencíveis', alertou Tedros Adhanom Ghebreyesus

Paulo Beraldo e Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2020 | 14h38

   

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou nesta sexta-feira, 20, o papel dos jovens na luta contra a pandemia do coronavírus, que já atingiu 210 mil pessoas nos cinco continentes e deixou mais de 9 mil mortos. 

"Vocês não são invencíveis. Esse vírus pode colocar você no hospital por semanas ou até matar. Mesmo que não fique doente, as escolhas que faz sobre onde ir podem fazer a diferença sobre a vida ou a morte de outra pessoa", afirmou. "A solidariedade é a chave para combater a covid-19, entre países e entre pessoas". 

Em sua fala, Tedros destacou dados de vários países indicando que pessoas com menos de 50 anos estão sendo hospitalizadas. Ele também enfatizou que a OMS publicou guias sobre como lidar com a doença e sobre essa nova realidade, tanto para autoridades públicas como para indivíduos. "Aumentamos o acesso às orientações técnicas baseadas em evidências que os países e os profissionais de saúde precisam para salvar vidas". 

O diretor-geral da OMS destacou ainda uma notícia positiva: a cidade de Wuhan, na China, onde o vírus começou a se espalhar, não teve casos novos de coronavírus na quinta. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde o início da pandemia. "Wuhan dá esperança para o resto do mundo". 

A entidade também orientou as pessoas a reduzirem o consumo de álcool, bebidas açucaradas e cigarros. Também recomendou que as pessoas se exercitem, cuidem de sua saúde mental e se informem por fontes confíaveis. "Durante esse período difícil, é importante continuar cuidando da sua saúde física e mental. Isso não só ajudará a longo prazo, mas também a combater a covid-19, se você chegar a ter". 

Em sua mensagem, Tedros destacou que a doença tem crescido em países com sistemas de saúde mais fracos e com populações vulneráveis. "Essa preocupação agora se tornou muito real e urgente". 

Colapso

Outra preocupação da entidade é com o colapso do mercado de equipamentos de proteção individual para os profissionais da saúde. A OMS identificou alguns produtores na China que concordaram em fornecê-los à organização e agora estão na fase de finalizar arranjos e coordenar remessas para reabastecer quem mais precisa. 

Testes

A Organização Mundial da Saúde tem insistido para que os países façam testes para coronavírus em todos os casos suspeitos. Para dar conta dessa demanda, Ghebreyesus afirmou que a entidade está trabalhando para elevar o fornecimento de testes de diagnóstico. "Existem muitas empresas que produzem kits de diagnóstico, mas a OMS só pode comprar ou recomendar kits avaliados de maneira independente, para garantir sua qualidade", informou.

"Estamos trabalhando com empresas para aumentar a produção dos outros produtos necessários para realizar os testes, desde os itens usados para coletar amostras até as grandes máquinas necessárias para processá-las", disse Ghebreyesus. 

No Brasil, o Ministério da Saúde tem seguido o protocolo de fazer testes apenas em pessoas com quadro grave, mas também afirma buscar soluções para aumentar a produção de kits de diagnóstico. Uma das alternativas é fazer uma chamada pública para que empresas com tecnologias desenvolvidas para exames enviem as propostas para avaliação, anunciou João Gabbardo, secretário-executivo da pasta nesta semana. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que adotar outras estruturas de produção em alta escala tem o objetivo de tornar o País autossuficiente.

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