Dida Sampaio / Estadão
O presidente da República, Jair Bolsonaro Dida Sampaio / Estadão

‘Espero que as políticas de lockdown sejam extintas’, diz Bolsonaro

Em sua live semanal, presidente também afirmou que o governo federal manteve viva a economia no ano passado

Emilly Behnke, Nicholas Shores e Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2021 | 21h25

BRASÍLIA - Contrário às medidas de fechamento para conter a disseminação do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira, 25, esperar que as políticas de lockdown sejam "atenuadas ou extintas" daqui três meses. O prazo foi indicado após o presidente comentar a decisão do Ministério da Economia de adiar o recolhimento de tributos para empresas do Simples Nacional nos meses de abril, maio e junho. Ele também falou que não existe medicamento certo para a doença.

"O governo federal via Ministério da Economia anunciou o diferimento, o atraso, da contribuição do Simples Nacional por três meses. Isso o governo abre mão nesses três meses de receber R$ 27 bilhões", disse em transmissão ao vivo nas redes sociais nesta noite. "Mas, em contrapartida, depois do fim do terceiro mês, no quarto (mês) vai ter seis meses para pagar o que (o governo) deixou de receber. Espero que até lá a economia volte e as políticas de lockdown sejam atenuadas ou extintas”, acrescentou.

Em sua live semanal, o presidente afirmou que o “governo federal manteve viva a economia ano passado”. Ele destacou medidas para a manutenção do emprego, como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm), que terão novas fases.

"O BEm, que é o benefício emergencial e permite acordos entre patrões e empregados, está na iminência de sair, ser publicado", comentou. "Vai atingir diretamente 11 milhões de pessoas que poderão fazer acordos com seus patrões fazendo com que seus empregos sejam mantidos", disse o presidente.

Bolsonaro ressaltou que o Pronampe, que é um programa de crédito para pequenas empresas, ajudará em especial donos de negócios afetados por medidas de fechamento. "Vai ajudar diretamente grande parte daquele pessoal que trabalha em restaurantes e hotéis, que com essas políticas de ‘fica em casa’ tirou-lhes o emprego (sic)”, afirmou.

O presidente também reiterou que, uma vez aprovado o Orçamento de 2021, o governo antecipará o pagamento do 13° salário para beneficiários do INSS. O texto-base da  Lei de Orçamentária Anual 2021 foi aprovado nesta noite pelos deputados, que agora analisam os destaques à proposta. "Caso seja votado hoje, nos próximos dias vamos antecipar o pagamento do 13° salário, a primeira parcela, dos aposentados e pensionistas do INSS”, informou o presidente.

 

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Bolsonaro diz que não há remédio para covid, mas ainda sugere tratamento precoce

Presidente defende uso de medicamentos com ineficácia comprovada pela ciência desde o início da pandemia; produtos têm riscos de efeitos colaterais

Nicholas Shores, Emilly Behnke, Daniel Galvão e Rafael Beppu, São Paulo e Brasília

25 de março de 2021 | 21h52

Após ter pregado durante praticamente um ano o uso de remédios sem eficácia comprovada contra a covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a admitir, em transmissão ao vivo nas redes sociais, nesta quinta-feira, 25, que não existe medicamento “certo” para tratar a doença. Bolsonaro insistiu, porém, que pessoas com coronavírus devem consultar médicos a respeito de “alternativas” para um “atendimento imediato” que, nas suas palavras, podem “salvar sua vida”.

Desde o início da pandemia, ele vinha defendendo a adoção do que chama de “tratamento precoce”, que consiste na utilização de substâncias como cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina. Essas medicações não são recomendadas para pessoas com covid-19. Esta semana, três pacientes morreram após receber nebulização com cloroquina na cidade de Camaquã, região sul do Rio Grande do Sul.

Em São Paulo (SP), o uso dos remédios sem eficácia comprovada contra o coronavírus levou cinco pacientes à fila do transplante de fígado e está sendo apontado como causa de ao menos três mortes por hepatite, segundo médicos ouvidos pelo Estadão.

Ao reunir governadores e chefes do Legislativo e do Judiciário, nesta quarta-feira, 24, para anunciar a criação de um comitê para coordenar ações de combate à covid-19, Bolsonaro ouviu críticas à defesa do tratamento precoce. Foi pedido ao presidente um alinhamento do discurso, mas não adiantou.

Na live desta quinta-feira, Bolsonaro também disse que o número de doses de vacinas contra coronavírus, aplicadas por dia, vai aumentar. Segundo ele, há previsão de que, daqui a dois ou três meses, o Brasil consiga fazer todo o processo de fabricação de imunizantes. Atualmente, as doses da Coronavac e da vacina de Oxford produzidas pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz usam princípio ativo (IFA) importado, principalmente da China.

“Nos preocupamos, sim, com a vida, as medidas da vacina começaram a ser tomadas lá atrás. Muita gente nega isso aí, é negacionista”, alegou o presidente. Em outubro do ano passado, no entanto, ele mesmo chegou a ordenar o cancelamento da compra da Coronavac para não promover o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). À época Bolsonaro chamava a Coronavac de "vacina chinesa do Doria".

Ao longo de 2020, o Ministério da Saúde recusou diversas ofertas de doses do imunizante da Pfizer, sob a justificativa de que havia “óbices jurídicos” às “exigências leoninas” da farmacêutica. Neste ano o ministério fechou contrato com a empresa após o Congresso aprovar projeto de lei que autorizava os entes da federação a assumir os riscos de responsabilização por eventuais efeitos adversos da vacina.

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