Friedemann Vogel/EFE/EPA
Friedemann Vogel/EFE/EPA

Estudo diz que mulheres na pós-menopausa têm risco maior de evoluir para quadro grave de covid-19

Segundo a pesquisa, realizada com quase 600 mil mulheres, altos níveis do hormônio sexual feminino estrogênio podem ter um efeito protetor contra a doença

Redação, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2020 | 17h45

   

SÃO PAULO - Um estudo liderado pelo King's College London, no Reino Unido, mostrou que mulheres na pós-menopausa correm mais risco de evoluir para a forma grave do novo coronavírus. Segundo a pesquisa, realizada com quase 600 mil mulheres, altos níveis do hormônio sexual feminino estrogênio podem ter um efeito protetor contra a doença. O estudo, publicado no site medRxiv, ainda não foi revisado por pares.

Por meio de um aplicativo chamado Covid Symptom Study, os pesquisadores analisaram a taxa de infecção pelo vírus prevista em três grupos: mulheres na pós-menopausa, mulheres na pré-menopausa que estavam utilizando pílula anticoncepcional oral combinada e mulheres na pós-menopausa que faziam uso de terapia de reposição hormonal. Os dados foram coletados entre 7 de maio e 15 de junho.

A taxa de covid-19 prevista com complicações graves foi mais alta entre as mulheres na pós-menopausa, na faixa etária de 45 a 50 anos, que relataram sintomas de perda de olfato, febre e tosse persistente, além de necessidade de tratamento com oxigênio.

O índice previsto foi mais baixo no grupo das mulheres que faziam uso de pílula, entre 18 e 45 anos. Elas apresentaram frequência menor de episódios de tosse persistente, delírios, perda de olfato, falta de apetite, fadiga e dor severas. A taxa de hospitalização também foi menor.

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Entre as mulheres que faziam reposição hormonal, que estavam na pós-menopausa e tinham entre 50 e 65 anos, o uso da terapia foi associado a um aumento na taxa prevista de covid-19, mas sem impacto nos índices de hospitalização. Neste ponto, os estudiosos ponderaram que é necessário ter cautela, tendo em vista a necessidade de mais informações sobre tipo, via de administração e tempo de tratamento.

Diante dos resultados, os pesquisadores trabalham com a hipótese de que o hormônio pode exercer um efeito protetor contra o novo coronavírus. Estudos anteriores com os vírus SARS-CoV e MERS já tinham apontado conclusão semelhante e explicariam o fato de que homens, independentemente da idade, têm risco maior de evoluir para quadros mais graves. Este cenário também é observado no novo coronavírus.

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