WANG Zhao / AFP
WANG Zhao / AFP

Fabricante chinesa da Coronavac nega ter divulgado nota com críticas aos EUA

Documento enviado por assessoria de imprensa que dizia representar empresa chinesa é falso; agência de comunicação diz ter sido vítima de golpe

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2021 | 19h53
Atualizado 07 de fevereiro de 2021 | 00h02

BRASÍLIA – Uma assessoria de imprensa que dizia representar no Brasil a farmacêutica chinesa Sinovac, fabricante da vacina Coronavac, divulgou uma nota neste sábado, 30, na qual atribuía à empresa asiática críticas ao posicionamento dos Estados Unidos e de outros países em relação ao processo de vacinação contra a covid-19. Após a divulgação da nota, porém, a Sinovac e a Embaixada chinesa no Brasil desmentiram o documento e disseram que a empresa não havia escrito a nota nem conhecia seu teor.

O posicionamento falsamente atribuído à Sinovac tinha sido distribuído a veículos de imprensa brasileiros neste sábado por uma agência de comunicação de Brasília que se apresentou como a assessoria de imprensa da companhia chinesa no País. Agora, a agência diz ter sido vítima de um golpe (leia mais abaixo). O Estadão chegou a publicar matéria sobre o teor da nota, mas corrigiu o texto ao ser alertado sobre a fraude.

A nota divulgada mais cedo, atribuída à Sinovac, afirmava que “a luta global” contra a pandemia do novo coronavírus entrou em um “estágio decisivo”, onde as vacinas tornaram-se um fator chave para conter a disseminação do vírus e salvar vidas, mas que outros países, diferentemente da China, são pouco colaborativos e priorizam “interesses protecionistas”.

O documento trazia críticas diretas aos Estados Unidos, acusando o país de implementar "uma política que prioriza as vacinas dos EUA para proteger apenas o povo americano". "Tanto o ex-presidente Trump, que deixou o cargo recentemente, quanto o agora presidente Biden, mantiveram essa posição”, afirmava a nota.

À noite, a assessoria de imprensa do Instituto Butantan, parceiro da Sinovac na produção da Coronavac no Brasil, encaminhou ao Estadão um posicionamento da Sinovac em que a empresa nega ter escrito o documento.

A Embaixada da China no Brasil também informou ao Estadão que a nota é falsa. "A declaracao nao foi feita pela sede da Sinovac e a empresa não tem conhecimento de seu conteúdo", disse o órgão.

A reportagem procurou novamente a assessora de imprensa que divulgou o comunicado atribuído à Sinovac e ela disse ter sido contratado pela agência Pharos para o trabalho freelancer de divulgação da nota e que acreditava ter sido vítima de um golpe.

A agência, por sua vez, endossou a afirmação da jornalista. Disse ter sido procurada por chineses que apresentaram documentação em que diziam ser representantes da Sinovac no Brasil e que foi surpreendida ao saber que a nota é falsa.

"A Pharos Consultores Associados informa que foi contratada no dia 28/01, pelo senhor Frank Zhang, CEO e fundador da Keen Risk Solution, no Brasil representado pelo senhor Liu Jia, professor visitante da Universidade de Brasília, que se apresentaram como representante da Sinovac Biotech, para que fizéssemos a divulgação de um posicionamento oficial da fitofarmacêutica, que foi encaminhado aos senhores jornalistas durante este sábado. Fomos surpreendidos quando recebemos a informação de que a nota veiculada era falsa, por meio de notificação da verdadeira Sinovac, que negou ter ciência da nota, colocando nosso trabalho e carreiras em xeque", diz nota da Pharos assinada por um dos sócios da empresa, Erick Guerreiro.

A empresa afirma que acionará a polícia a e Justiça. "Descobrimos que ele apresentou documentos falsos e que fomos vítimas de um golpe, estamos reunindo informações sobre o contratante impostor, e iremos buscar reparação judicial. A documentação referente ao trabalho e à contratação será entregue às autoridades. Estamos também reunindo as provas para assegurar nossa idoneidade e posição como vítimas de um crime", afirmou.

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