Divulgação/Governo do Estado de SP
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Falta de matéria-prima 'preocupa' Butantã e pode provocar revisão de datas da vacinação

Produção de imunizantes para atingir toda a população depende de produtos importados cuja chegada no País ainda não tem data exata

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

18 de janeiro de 2021 | 14h57

A produção de vacinas para a covid-19 de forma a garantir uma campanha nacional de imunização para toda a população ainda depende da chegada de insumos cuja data exata de entrada no Brasil ainda não está definida. Caso esse material não chegue até o fim deste mês, o cronograma de vacinação poderá ser adiado, segundo disse nesta segunda-feira, 18, o presidente do Instituto Butantã, Dimas Covas.

“Preocupa sim a chegada da matéria-prima. Essa matéria-prima precisa chegar para não parar o processo de produção. E esperamos que isso aconteça muito rapidamente. Porque, se chegar neste mês, nós manteremos o cronograma de entrega de vacinas”, afirmou Covas, durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, nesta segunda-feira, 18, convocada pelo governador João Doria (PSDB).

São Paulo fez um ato simbólico neste domingo, 17, vacinado profissionais do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Hospital das Clínicas, após a Coronavac receber autorização federal para uso emergencial. Nesta segunda, enviou doses do imunizante para profissioanis de saúde do interior do Estado. O cronograma originado de vacinações do governo paulista prevê que idosos acima de 75 anos comecem a ser imunizados a partir de 8 de fevereiro

O contrato do Butantã com a fabricante chinesa Sinovac previu que o instituto fizesse a terceira fase do estudo clínico da vacina, adquirisse 46 milhões de doses da Coronavac e recebesse a tecnologia para a produção do imunizante. Essas doses, entretanto, devem chegar ao longo do primeiro semestre. 

O Butantã tem capacidade para a produção de 1 milhão de doses da vacina por dia, segundo afirma Covas. Mas, para executar essa fabricação, o instituto depende de insumos feitos pela Sinovac e que precisam ser importados. “A capacidade de produção foi atingida, mas precisamos dessa matéria-prima”, afirmou Covas. A instituição informa estimar que ainda deve demorar 10 meses para que tenha capacidade de produzir a vacina sem depender de insumos importados. Uma nova fábrica do Butantã está em construção na zona oeste de São Paulo.

Covas não foi claro ao detalhar quantas doses poderão ser feitas com a matéria-prima que aguarda importação. “Mil litros (da matéria-prima) dão origem a um milhão de doses”, disse. 

Ele afirmou, entretanto, que a questão ao redor da liberação desses insumos é de ordem burocrática. “Temos um carregamento de matéria-prima pronto lá na China para ser despachado e estamos aguardando autorização do governo chinês para aí sim iniciar a segunda etapa de produção”, afirmou. 

O Butantã já iniciou a produção de 4,8 milhões de doses da Coronavac com um lote de matérias-primas que já haviam sido importados por São Paulo. Para que esses imunizantes cheguem até o braço da população, entretanto, é preciso que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emita uma nova autorização para uso emergencial, da mesma forma que o órgão concedeu uma autorização para o uso de 6 milhões de doses prontas que haviam sido importadas ao longo do ano passado e foram liberadas no domingo.

Covas disse ainda acreditar que a autorização para essas primeiras 4,8 milhões de doses podem contribuir para acelerar a liberação da importação dos novos lotes de matéria-prima. “As dificuldades do ponto de vista da autorização, neste momento, são da autorização do governo chinês, que precisa autorizar a exportação da Sinovac desta matéria-prima. A matéria-prima já está produzida, já está disponível na Sinovac desde meados deste mês e aguardamos agora essa autorização que, na minha percepção, após a autorização da Anvisa, facilitará essa decisão do governo (chinês)”, disse.

O Butantã foi questionado pelo Estadão, mas a assessoria de imprensa da instituição infomou não ter conseguido apurar com exatidão o que é exatamente que está parado na China e quantas doses de vacina seria possível produzir com o material.

Compromisso

O contrato do Butantã com o Ministério da Saúde prevê o envio de 46 milhões de doses da Coronavac para o Sistema Único de Saúde (SUS) até o dia 30 de abril, a um custo de R$ 2,6 bilhões. A primeira parcela teria 6 milhões de doses importadas e 2,7 milhões de doses nacionais. A segunda autorização para uso emergencial, cujo pedido à Anvisa foi anunciado por São Paulo nesta segunda-feira, se refere já às doses nacionais. 

O acordo prevê que, até o fim de fevereiro, mais 9,3 milhões de doses, aí todas de produção nacional, sejam enviadas ao ministério. Em março, serão 18 milhões. No mês de abril, o Butantã se comprometeu em enviar as 9,9 milhões de doses restantes. 

A Coronavac precisa de duas doses para atingir a eficiência observada nos estudos clínicos. O tempo de intervalo entre as doses no estudo conduzido no Brasil, que apontou uma eficiência global de 50,4% (mas que evitou 100% dos casos graves e óbitos), foi de 21 dias entre a primeira e a segunda aplicação. Dimas Covas afirmou que os estudos clínicos realizados em outros países, que tiveram intervalo de 28 dias, apontaram uma taxa de eficácia maior. 

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