REUTERS/Denis Balibouse/File Photo
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'Há esperança' pela vacina contra covid-19, mas devemos olhar pro agora, diz OMS

O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, esclareceu que escolheu falar 'talvez não exista' uma imunização para alertar sobre o que pode ser feito agora

Mílibi Arruda, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2020 | 13h08

Em relação à sua fala de que 'talvez não exista' vacina contra covid-19, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, esclareceu que foi um alerta para os países e cidadãos aplicarem as medidas disponíveis no momento e não pararem frente à expectativa da imunização.

Nesta quinta-feira, 6, Tedros apontou que seis imunizantes estão numa "ótima fase", se referindo ao estágio avançado de ensaios clínicos em que se encontram. No momento, segundo a OMS, são 165 vacinas em desenvolvimento, 26 destas sendo testadas em humanos e 139 em estudo inicial.

"Há esperanças mas, ao mesmo tempo, até sabermos os resultados dos testes clínicos, não dá pra dizer que temos vacina. Podemos ou não ter", disse o diretor-geral durante o Fórum de Segurança em Aspen. "A razão para ter dito aquilo é que estar esperançoso quanto às vacinas é bom, mas muitos não estão usando as ferramentas que temos agora".

As ferramentas são as medidas recomendadas pela a entidade para suprimir a transmissão do novo coronavírus. Para os governos, isso significa realizar testagem, isolar os casos suspeitos e rastrear os contatos. Para a sociedade, é usar máscaras quando apropriado, praticar o distanciamento social e a higienização constante das mãos.

Durante coletiva na segunda-feira, 3, Tedros disse que, por ora, não há uma “bala de prata” contra a covid-19 e isso pode nunca se tornar realidade. O tom pessimista da declaração causou preocupação em especialistas da área da saúde e governantes.

Nesta quinta-feira,  ele afirmou que é necessário equilíbrio entre aplicar o conjunto de medidas sanitárias "ao máximo" no momento e investir no desenvolvimento de vacinas. "Minha mensagem foi: vamos fazer o que podemos hoje para salvar vidas".

Diante de esforços para acelerar a checagem de segurança dos imunizantes, o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, reforçou a necessidade dos protocolos e testes clínicos tradicionais.  Também lembrou que a última fase de ensaios em seres humanos é só o "início".

“A fase 3 não significa quase lá. Significa que é a primeira vez que a vacina será aplicada na população em geral, em indivíduos saudáveis, para ver se ela os protegerá”.

Crítica ao nacionalismo de vacinas

O diretor-geral da organização, também na quinta-feira, criticou a corrida individual dos países para comprar candidatas a imunização. "Nacionalismo de vacinas não é bom, não vai nos ajudar".

A entidade, que criou a iniciativa ACT Accelerator para garantir agilidade e acesso igualitário aos imunizantes, pediu que líderes políticos assumam o compromisso de tornar a vacina um bem comum global.  Tedros acrescentou que o mundo é globalizado e as economias estão ligadas, então a recuperação precisa ser realizada em unidade.

"Não é dividir por dividir. É porque há vantagens", afirmou. "A recuperação econômica pode ser mais rápida e os impactos da covid-19 podem ser menores".

Entre outros objetivos, a ACT pretende que países de média e alta renda garantam vacinas para as nações de renda baixa. "Quando países que tem os meios se comprometem a isso, eles não estão fazendo caridade. Estão fazendo por eles mesmos. As economias reabrem e eles se beneficiam".

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