Matteo Bazzi / EFE
Matteo Bazzi / EFE

Milão se fecha diante do coronavírus: ‘Prateleiras do mercado já estão vazias’, conta brasileiro

Autoridades decidiram fechar escolas, museus, teatros, cinemas. Até mesmo a catedral de Milão – o célebre Duomo – foi fechado; Itália tem 152 casos confirmados e três mortos

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2020 | 18h09

SÃO PAULO - Em meio a uma das mais tradicionais fashion weeks do mundo, a cidade de Milão, na Itália, começou a se fechar neste domingo, 23, diante do rápido crescimento de casos confirmados de coronavírus no país, especialmente na região norte, onde fica a cidade. Já são 152 casos, com três mortes, em apenas três dias.

Autoridades decidiram fechar escolas, museus, teatros, cinemas. Até mesmo a catedral de Milão – o célebre Duomo – foi fechado. Em outras cidades foi decretado toque de recolher e o carnaval de Veneza foi cancelado.

Assustados, os moradores estão correndo aos supermercados, que estão com prateleiras vazias, e as farmácias já não tem mais máscaras nem álcool em gel, como conta o chef de cozinha brasileiro Gustavo Miranda de Lima, de 23 anos, que trabalha em um hotel em Milão.

Na sexta-feira de manhã recebi mensagem de amigos italianos falando que havia o primeiro caso de contaminação pelo coronavírus na Itália. Quando eram 9 da noite, já eram 14. No sábado já tinha passado de 40 e agora acabei de ver na TV que já são mais de 150”, afirmou o rapaz ao Estado.

Ele andou pela cidade neste domingo e disse que ainda viu pessoas pelas ruas. “Acredito que muita gente ainda não estava sabendo porque foi tudo muito rápido. Eu mesmo estava no centro e quando vi as notícias no celular resolvi vir para casa. Mas quando passei no mercado vi já não tinha mais nada", relata.

"As prateleiras estavam praticamente vazias. Eu nem estava pensando em estocar nada, só queria comprar algo para jantar e não ficar mais na rua. Mas resolvi trazer algo mais. Peguei os últimos três pedaços de carne. Também peguei seis ovos e só sobraram dez lá.”

Ele diz que se sentiu como num filme de guerra. “Fiquei me segurando para não chorar quando vi tudo vazio, mas quando fui passar no caixa eu não aguente. É muito assustador”, diz. “Não cumprimento ninguém mais com beijo e fico lavando a mão sempre.”

Lima também passou em farmácias que exibiam cartazes falando que tinham acabado o álcool em gel e máscaras. “E não é que ia chegar amanhã ou depois. Os fornecedores já não tinham mais”, afirma.

Segundo Lima, algumas empresas já estão determinando que os funcionários façam home office. E festas e eventos ligados à fashion week foram cancelados.

Por precaução, o estilista Giorgio Armani desfilou sua nova coleção a portas fechadas para um teatro vazio, transmitindo online. A mesma decisão foi tomada por Laura Biagiotti. O restante dos desfiles programados para domingo, porém, continuaram como planejado. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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