REUTERS/Adriano Machado
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Ocupação em UTIs no Rio beira 80%, e pacientes viajam mais de 100 km por atendimento

Secretaria de Saúde planeja oferecer 3.414 leitos ao redor do Estado

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2020 | 09h25

RIO - Operando no limite da capacidade por causa da pandemia do novo coronavírus, hospitais do Rio já têm dificuldades para realizar novas internações. Dezenas de pacientes estão sendo transferidos diariamente para unidades do interior - algumas a mais de cem quilômetros da capital. A ocupação das UTIs disponíveis beira os 80%. Para tentar dar conta da demanda cada vez maior por vagas, a prefeitura carioca pretende contratar mil leitos junto à rede privada

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou nesta quarta, 22, que a taxa de ocupação na rede estadual é de 66% em leitos de enfermaria e 78% em leitos de UTI. Declarou ainda que nos últimos 45 dias abriu 548 novas vagas exclusivas para tratamento de pacientes infectados pelo coronavírus em todo o estado do Rio de Janeiro. Ao todo, a SES planeja oferecer na capital, na Região Metropolitana e no interior 3.414 leitos. O número inclui dois mil leitos em hospitais de campanha que ainda estão sendo construídos.

A demanda por internações, contudo, já começa a saturar a rede pública na capital fluminense, que até esta terça, 21, registrava 3.587 casos confirmados da doença, com 283 mortes. Desde a semana passada, a solução encontrada tem sido transferir boa parte dos pacientes para unidades no interior. Reportagem da TV Globo mostrou que até 30 pacientes chegam a ser levados ao Hospital Zilda Arns, uma das unidades de referência no combate à covid-19 no Estado, todos os dias. A unidade fica em Volta Redonda, a 120 quilômetros da capital.

A transferência de pacientes para o interior muitas vezes acaba se transformando em um drama extra aos familiares.

"Levei minha mãe ao Hospital Ronaldo Gazolla na manhã de segunda-feira (13), e à tarde me informaram que tinham transferido ela pra Volta Redonda. Não conseguíamos informação nenhuma por telefone e não tivemos mais contato com ela. Na quinta, ligaram para informar que ela tinha falecido", conta a administradora de imóveis Patrícia Vanízia, de 43 anos.

A mãe de Patrícia, Anita de Souza Vianna, morreu no último dia 16 por coronavírus.

"O teste deu positivo, mas no atestado de óbito colocaram como síndrome respiratória", contou a administradora. "Minha mãe era técnica em enfermagem no Ronaldo Gazolla e no Hospital Geral de Bonsucesso. Estava na linha de frente no combate à covid".

Sobre a transferência de pacientes para o interior do estado, a SES declarou por nota que elas "fazem parte do protocolo estabelecido para não sobrecarregar as equipes das unidades e o atendimento prestado". A pasta também afirmou que faz transferências "de forma alternada para as diferentes unidades espalhadas pelo território".

A secretaria não divulgou a quantidade de leitos reservados no Hospital Zilda Arns. Informou porém que a taxa de ocupação na unidade é de 54% dos leitos de UTI e 40% dos leitos das enfermarias.

Novas vagas

A prefeitura do Rio deve publicar nesta semana edital para contratar na rede particular mil leitos dedicados a cuidados intensivos.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não informou a taxa atual de ocupação na rede municipal. Declarou que 346 leitos foram abertos para o combate ao novo coronavírus, incluindo 129 de UTI.

Na segunda-feira, 20, a prefeitura inaugurou o maior hospital de campanha da cidade, no Riocentro, na zona oeste. Mas a unidade ainda não está equipada, e levará alguns dias até começar a receber os primeiros pacientes. Pelos dados oficiais, o hospital ocupa 16,5 mil metros quadrados, com 13 mil metros quadrados de área construída. São 500 leitos, incluindo 100 de UTI — 15 leitos de UTI terão recursos para hemodiálise.

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