REUTERS/Denis Balibouse
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OMS alerta que sistemas de saúde sobrecarregados causam mortes evitáveis

Organização Mundial da Saúde afirmou que países precisam se preparar para conciliar tratamento da pandemia da covid-19 com outras atividades essenciais

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2020 | 13h34

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou nesta segunda-feira, 30, para a necessidade de os países prepararem e adaptarem seus sistemas de saúde para tratarem da pandemia do novo coronavírus e continuar aptos a tratar dos problemas que aparecem no dia a dia. 

"Surtos anteriores demonstraram que, quando os sistemas de saúde estão sobrecarregados, as mortes por doenças evitáveis ​​e tratáveis ​​aumentam drasticamente", afirmou o etíope. "Mesmo estando em meio a uma crise, os serviços essenciais de saúde devem continuar. Bebês ainda estão nascendo, vacinas ainda precisam ser aplicadas e as pessoas ainda precisam de tratamento para salvar uma série de outras doenças".

A entidade informou que publicou guias orientando ações para reorganizar e manter o acesso a serviços de saúde essenciais, como vacinação, cuidados durante a gravidez, parto, tratamento de doenças infecciosas, doação de sangue e saúde mental. "Isso inclui garantir uma força de trabalho adequada para lidar com outras necessidades de saúde além da covid-19", disse o líder da OMS. 

A OMS também afirmou que os países precisam ter capacidade para diagnosticar o coronavírus, fornecer equipamentos de proteção para os profissionais da saúde e outros suprimentos médicos nesse período. "Garantir a livre circulação de produtos essenciais de saúde é vital para salvar vidas e conter os impactos sociais e econômicos da pandemia". Ele também pediu que os países do G-20 aumentem a produção de equipamentos de proteção individual e outros suprimentos essenciais para o combate ao coronavírus. 

Tedros pediu aos países para trabalharem em conjunto com as empresas para elevar a produção desses produtos e garantir sua livre circulação, com base na necessidade. Ele afirmou que os países de baixa renda da África, Ásia e América Latina requerem atenção especial.  

A OMS destacou que os países precisam informar sua população sobre como serão adotadas as medidas de restrição da circulação de pessoas e qual será sua duração. "Os governos precisam garantir o bem-estar das pessoas que perderam sua renda e precisam desesperadamente de comida, saneamento e outros serviços essenciais". Ele lembrou que essas medidas são difíceis, mas a "alternativa é pior". 

Questionadas sobre tratamentos e medicamentos contra o coronavírus, as autoridades da OMS voltaram a frisar que não há tratamento comprovadamente eficaz contra o coronavírus. Maria Van Kherkove, especialista em doenças infecciosas da OMS, e Michael Ryan, diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, afirmaram que há estudos sendo conduzidos com a cloroquina e a hidroxicloroquina. 

"O desafio é que eles são muito pequenos em tamanho e quantidade, é difícil tirar conclusões. É muito importante ter testes e amostras maiores para termos casos suficientes e ver quais medicamentos funcionam com segurança", disse Kherkove. Na semana passada, a OMS afirmou que uma vacina ainda levaria de 12 a 18 meses para estar pronta. Enquanto isso, o comando da OMS insiste na importância de que países realizem testes para identificar casos, isolar os infectados e cuidar dos registros mais graves.  

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, já afirmou que a cloroquina não é o remédio que "veio para salvar a humanidade". "Se sairmos com a caixa na mão dizendo 'pode tomar', podemos ter mais mortes por mal uso do medicamento do que pela própria virose" afirmou no sábado, 28. 

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