Alberto Pizzoli/AFP
Alberto Pizzoli/AFP

Papa convoca oração universal e dará perdão extraordinário por causa do coronavírus

Pontífice fará declaração universal para pedir indulgência para pessoas que combatem covid-19 ou que morreram pela doença

Cláudio Vieira, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2020 | 17h04

SÃO PAULO - Com templos fechados no mundo todo, o papa Francisco convocou para esta quarta-feira, 25, uma oração universal do pai-nosso, para a qual pediu apoio de todas as igrejas cristãs e confissões religiosas. Além disso, na sexta-feira, 27, fará uma declaração universal em que destacará o perdão espiritual para as pessoas que combatem o novo coronavírus, para as que morreram em decorrência da doença e para as que rezam por todos.

“Na sexta, darei a Bênção Urbi et Orbi (à cidade do Roma e ao mundo, normalmente usada na Páscoa e no Natal), à qual será acompanhada a possibilidade de receber a Indulgência plenária. Queremos responder à pandemia com a universalidade da oração, da compaixão, da ternura. Permaneçamos unidos. Façamos com que as pessoas mais sozinhas e em maiores provações sintam a nossa proximidade”, afirmou Francisco no sábado, 21. 

Um Decreto da Penitenciaria Apostólica do Vaticano concedeu na sexta-feira, 20, a possibilidade da chamada indulgência plenária aos doentes do covid-19, aos que cuidam deles e a todos os fiéis do mundo que rezam por eles.

Na Igreja Católica, essas indulgências se referem às penas temporais a serem pagas em caso de desobediência a Deus. Há variadas formas de receber a indulgência, que vão de uma récita de pai-nosso, credo e uma oração a Maria até a leitura de meia hora da Bíblia.

O Vaticano também abriu a possibilidade de absolvição coletiva neste momento de grave necessidade. No catolicismo, o perdão é dado por meio de uma confissão individual com o padre.

Com as dificuldades trazidas pelo coronavírus que levam ao isolamento social, o fechamento de templos e impossibilidade de cerimônias coletivas - só no Brasil, metade das dioceses fechou templos, incluindo, no sábado, 21, a Arquidiocese de São Paulo -, caberá a cada bispo estabelecer essa necessidade.

"Cabe a ele determinar, no território de sua circunscrição eclesiástica e em relação ao nível de contágio pandêmico, os casos de grave necessidade em que é permitido dar absolvição coletiva: por exemplo, na entrada das repartições hospitalares, onde se encontram internados os fiéis contagiados em perigo de morte, utilizando na medida do possível e com as devidas precauções, os meios de amplificação da voz a fim de que a absolvição possa ser ouvida", diz o texto oficial.

A Penitenciaria também pede para avaliar “a necessidade e a oportunidade de criar, onde for necessário, e de acordo com as autoridades de saúde, grupos de ‘capelães hospitalares extraordinários’, também de forma voluntária e conforme as regras de proteção contra o contágio, para garantir a necessária assistência espiritual aos doentes e agonizantes”.

O papa voltou a reiterar a necessidade de seguir as ordens das autoridades, que na Itália já definiram o confinamento de grande parte da população.

"A nossa proximidade aos médicos, aos profissionais da saúde, enfermeiros e enfermeiras, voluntários... A nossa proximidade às autoridades que devem tomar medidas duras, mas para o nosso bem. Nossa proximidade aos policiais, aos soldados, que nas ruas procuram manter sempre a ordem, que se realizem as coisas que o governo  pede para o bem de todos nós. Proximidade a todos."

Com outras igrejas. Na quarta, Francisco solicitou apoio a uma oração universal, incluindo todas as religiões.

“Convido todos os chefes das igrejas e os líderes de todas as Comunidades cristãs, junto a todos os cristãos das várias confissões, a invocar o altíssimo, Deus todo-poderoso, recitando simultaneamente a oração que Jesus Nosso Senhor nos ensinou. Portanto, convido todos a recitar o pai-nosso ao meio-dia da próxima quarta-feira", disse ele, voltando a abençoar ontem uma Praça de São Pedro vazia, sem fiéis, por causa do avanço da covid-19. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.