Divulgação/PMSJC
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Para acelerar reabertura, cidades fazem corrida por leito hospitalar no interior de SP

A disponibilidade de leitos para pacientes da covid-19 é um dos principais critérios para a retomada das atividades econômicas

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2020 | 16h04

SOROCABA – Para acelerar a reabertura do comércio, cidades do interior de São Paulo correm atrás de novos leitos hospitalares. A disponibilidade de leitos para pacientes da covid-19 é um dos principais critérios para a retomada das atividades econômicas, segundo o plano de reabertura definido pelo governo estadual. Além da construção de novos hospitais, as prefeituras lutam para habilitar leitos de terapia intensiva (UTI) para se adequarem aos critérios de flexibilização adotados pelo Estado.

Em São José dos Campos, a Prefeitura anunciou nesta sexta-feira, 29, a construção de um hospital de retaguarda para o enfrentamento ao novo coronavírus. O objetivo é instalar 40 leitos e oferecer suporte de urgência para aliviar a lotação do Hospital Municipal e de outros hospitais da cidade que atendem pacientes com a doença. O projeto, em parceria com a iniciativa privada, vai custar R$ 12,9 milhões — o município entrará com R$ 4,5 milhões. A obra deve ficar pronta em 45 dias.

Com a cidade na faixa 2 (laranja) do plano estadual, o prefeito Felício Ramuth (PSDB) publicou dois decretos sobre a reabertura das atividades econômicas a partir do dia 1.º. De segunda a sexta-feira, 5, voltam a funcionar imobiliárias, lojas de veículos, escritórios e comércio em geral, incluindo os shoppings e lojas de rua, mas com restrições, como a limitação de funcionários, de público e de horas de abertura, além do uso obrigatório de máscaras. Segundo o prefeito, São José deve evoluir rapidamente para a faixa 3 (amarela). A cidade tem 794 casos e 34 mortes pelo novo coronavírus.

A Prefeitura de Sorocaba inaugurou na sexta-feira, 22, um hospital de campanha aproveitando a estrutura de uma arena esportiva. O hospital opera com 22 leitos para casos de covid-19 – dois deles de estabilização. A capacidade total é de 84 leitos. 

Nesta sexta-feira, 29, a prefeita Jaqueline Coutinho (sem partido) enviou documento ao governo estadual pedindo a migração da faixa 2 para a faixa 3 do plano de reabertura, o que possibilitaria abrir 40% das atividades comerciais, além de bares, restaurantes e salões de beleza. Entre os argumentos está a abertura do hospital. A cidade tem 870 casos e 43 mortes pela doença.

Em Botucatu, o Hospital das Clínicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) anunciou a abertura de 14 novos leitos, nesta sexta, passando a contar com 30 unidades para a covid-19. O hospital atende 12 cidades da região. O HC da Faculdade de Medicina de Bauru, na mesma região, teve mais nove leitos de UTI liberados, passando a 38 vagas para pacientes com a doença. Nos dois casos, os leitos foram liberados pelo Ministério da Saúde. As duas cidades estão na faixa amarela (3) e devem reabrir 40% do comércio na segunda-feira, 1.º.

A prefeitura de Franca informou que a secretaria estadual da saúde vai habilitar 15 leitos de UTI na Santa Casa para casos graves de coronavírus. Conforme o prefeito Gilson de Souza (DEM), isso seria suficiente para levar a cidade, atualmente na fase 2, para a faixa 3 do plano de reabertura. Nessa faixa, é possível o funcionamento de bares, restaurantes e salões de beleza. “É importante, porque vamos ter leitos de UTI não só para a cidade de Franca, mas para os 22 municípios que estão em um eixo de mais de 700 pessoas”, justificou.

Na quinta-feira, 28, o Ministério da Saúde habilitou 46 leitos de UTI para hospitais de Campinas, dos quais 19 no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), referência para covid-19. Outros 24 leitos foram autorizados para o Hospital Estadual de Sumaré e 20 em hospitais de Americana. O hospital Mário Covas, de Hortolândia, teve acrescidos dez leitos, totalizando 100 leitos na região, que está na faixa 2 de reabertura (laranja).

Segundo o Ministério da Saúde, o pedido de habilitação de leitos é feito pelos municípios, com anuência do Estado. As prefeituras precisam assegurar estrutura para funcionamento dos leitos, recebendo da União o valor para a prestação dos serviços médicos e hospitalares. 

Devido à pandemia, a habilitação acontece em caráter excepcional, por 90 dias, sujeitos à prorrogação enquanto durar a emergência na saúde pública. Ainda segundo a pasta, os hospitais de campanha podem ser estruturados para pacientes com sintomas respiratórios de baixa complexidade e, também, como unidade de suporte ventilatório pulmonar, evitando que o paciente necessite de UTI.

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