Axel Schmidt/Reuters
Axel Schmidt/Reuters

Pesquisa vai orientar saída do isolamento em nove cidades da Baixada Santista

Estudo é baseado em testes por amostragem da população para permitir retomada gradual de atividades

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2020 | 11h48

SOROCABA – Uma pesquisa vai rastrear o novo coronavírus e avaliar seu nível de circulação em nove municípios da Baixada Santista, no litoral do Estado de São Paulo. O plano é usar os dados para reduzir gradualmente o isolamento social e retomar as atividades econômicas com base científica. O estudo epidemiológico se baseia na aplicação de testes rápidos por amostragem em 10 mil pessoas – um teste a cada 180 moradores, já que a região tem população de 1,8 milhão de habitantes. 

Trabalho semelhante já foi feito no Rio Grande do Sul, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, e também começará a ser feito em São Paulo.

A realização da pesquisa foi aprovada no último sábado, 18, pelos nove prefeitos do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), em reunião virtual. O conselho bancará o custo do estudo. As nove prefeituras cederão estrutura e pessoal de apoio para a aplicação dos testes. O trabalho dos pesquisadores e de universidades da região, que analisarão o resultado dos testes, será coordenado pela Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem) e pelo órgão regional da Secretaria da Saúde do Estado.

O prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), disse que a pesquisa é importante para a tomada de decisões sobre a pandemia. “Santos tem mais de 80 mil pessoas acima de 60 anos. Seria uma irresponsabilidade abrir tudo, então tomaremos decisões ouvindo especialistas. Vamos buscar respostas na ciência. Cada vez mais, estamos perto de voltar às atividades, mas precisamos fazer com responsabilidade e pedimos que as pessoas tenham respeito às regras. É importante ter consciência coletiva”, disse.

O médico infectologista Marcos Caseiro, do Hospital Emílio Ribas, de Guarujá, um dos coordenadores, disse que os testes serão aplicados a partir da coleta de sangue dos dedos de cada participante, que ainda responderá a um questionário sobre sua saúde e seu comportamento em isolamento social. “Vamos medir o percentual de pessoas na Baixada Santista que já teve contato com o vírus, pois já sabemos 80% são assintomáticos ou com sintomas leves, 14% com sintomas moderados e 5% com sintomas graves. O estudo vai apontar a prevalência da infecção pela covid-19 em cada núcleo urbano”, explicou.

A pesquisa será feita por amostragem, por bairros ou aglomerados, com o uso de softwares já disponíveis para estudos epidemiológicos. O trabalho será realizado em quatro etapas de 15 dias cada uma. Cada etapa vai abranger 2,5 mil pessoas – a primeira será concluída até 10 de maio. Até esta segunda-feira, 20, a Baixada Santista tinha 46 mortes confirmadas e outras 25 em investigação pelo coronavírus. A região tem 694 casos positivos e 270 pacientes em hospitais.

Estudo no RS indicou 

No Rio Grande do Sul, um estudo similar apontou que o número de casos no Estado é aproximadamente 15 vezes maior do que o número de casos confirmados oficialmente. Os dados, preliminares, com base em levantamento feito nos dias 11 e 13 deste mês, faz parte da pesquisa Epidemiologia da Covid-19 no Rio Grande do Sul, que usa metodologia similar à das pesquisas de intenção de voto para estimar o número real de infecções. 

“Os números oficiais dão conta apenas dos casos mais graves; são apenas a ponta do iceberg que precisamos conhecer para combater a covid-19”, afirmou o coordenador do estudo, o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Ele vai coordenar um estudo nacional dentro dessa metodologia.

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