Hector RETAMAL / AFP
Hector RETAMAL / AFP

Em meio a surto de coronavírus, países tentam evacuar cidadãos da China

Por causa do isolamento imposto pelo governo chinês, aeroportos estão bloqueados e é preciso de autorização oficial para que aviões fretados aterrissem ou decolem; entre os países, estão os EUA, a França e o Japão

NYT, Washington Post e AP, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2020 | 12h59

SÃO PAULO - Em meio ao surto do coronavírus e à proibição de viagens imposta pela China, governos estrangeiros e multinacionais lutam para evacuar cidadãos e trabalhadores que estavam presos em Wuhan. Segundo autoridades chinesas, o novo vírus já infectou 2.744 pessoas e matou 80 até este domingo, 26.

Por causa do isolamento imposto pelo governo chinês, os aeroportos estão bloqueados e é preciso de autorização oficial para que aviões fretados aterrissem ou decolem na região, considerada epicentro viral. Entre os países que tentam retirar cidadãos de lá, estão os Estados Unidos, a França e o Japão.

Na semana passada, o Departamento de Estado dos Estados Unidos fretou um voo para trazer americanos de Wuhan para São Francisco. De acordo com o órgão, pessoas com maior risco de contrair o vírus foram consideradas prioridade, já que a capacidade do voo era "extremamente limitada".

Pelo menos um americano, pai de três filhos pequenos, recusou a oferta depois que o governo dos Estados Unidos se negou a também levar esposa dele, que tem nacionalidade chinesa.  

A ministra da Saúde da França, Agnes Buzyn afirmou que o país vai oferecer voo para centenas de franceses ainda nesta semana. Uma vez de volta, os passageiros seriam obrigados a passar 14 dias em quarentena.

A montadora francesa PSA Group também disse que forneceria acomodações para isolar seus funcionários, antes de evacuá-los.

No domingo, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, afirmou que o país evacuaria seu povo de Wuhan "por todos os meios". Estima-se que cerca de 700 japoneses vivam na região, mas cerca de 430 estariam na província de Hubei, a maioria na capital Wuhan.

"Estamos prontos para disponibilizar aviões fretados", disse Abe. "Assim que a coordenação com o governo chinês terminar, o governo buscará todos os meios para levar para casa todos os que desejam voltar."

A montadora Honda deve evacuar 30 funcionários e familiares da cidade. Parte dos trabalhadores, no entanto, vai permanecer em Wuhan para manter as operações locais.

Empresas com sede no Japão possuem 54 instalações na região. Já os Estados Unidos respondem por 44 unidades e os países europeus por 40.

A Rússia também tem tratativas com o governo chinês para evacuar seus cidadãos, segundo a imprensa local. As operadoras de turismo do país pararam de vender viagens à China, após recomendações do órgão de fiscalização.

No Twitter, a ministra das Relações Exteriores da Espanha, Arancha González, escreveu que “repatriaria cerca de 20 espanhóis em Wuhan, Hubei, o epicentro do coronavírus”.

Nesta segunda-feira, 27, o prefeito de Wuhan, Zhou Xianwang, e o secretário do Partido Comunista local, Ma Guoqiang, ofereceram renúncia após as crescentes críticas de que a reação das autoridades locais ao coronavírus foi lenta.

Em entrevista à emissora estatal CCTV, ele voltou a defender a proibição de viagens, mas admitiu que 5 milhões dos 11 milhões de moradores deixaram Wuhan antes do início da restrição. Para o prefeito, trata-se de surto "sem precedentes na história da humanidade".

Família de brasileiros com suspeita de infecção

A Embaixada do Brasil nas Filipinas, localizada em Manila, fez contato com uma família de brasileiros suspeitos de infecção pelo coronavírus. Um casal e um filho de 10 anos estiveram recentemente em Wuhan e foram isolados em hospital de Palawan, a cerca de 800 quilômetros da capital filipina.

Nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores informou que os membros da família não apresentam sintomas da doença, mas aguardam resultados de testes de infecção. 

Até o momento, o Brasil não registrou casos de coronavírus. Todas as suspeitas levantadas no País foram descartadas pelo Ministério da Saúde, por não se enquadrarem nos parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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