Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Primeiro voo para buscar máscaras na China fará escala em Doha e parte nesta semana

Latam será responsável por buscar 15 milhões de máscaras das 240 milhões compradas pelo Brasil

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2020 | 20h45

BRASÍLIA - O primeiro voo para buscar máscaras compradas pelo governo brasileiro na China partirá esta semana do Brasil e fará uma escala em Doha, de acordo com fontes do governo. O voo será feito pela Latam e será pago por doações de empresas que estão sendo feitas para ajudar no combate à pandemia do novo coronavírus.

Cerca de 15 milhões de máscaras serão trazidas nesse primeiro voo, de um total de 240 milhões compradas pelo Brasil. A expectativa é que o voo chegue até o início da próxima semana.

Como mostrou o Broadcast/Estadão na semana passada, o governo está montando uma operação de guerra para buscar o material na China. Poderão ser contratados de 20 a 50 voos em aviões comerciais para buscar os produtos. Seriam necessárias de 15 a 20 aeronaves distintas para a operação que, em volume, é considerada a maior compra governamental do exterior da história - são quatro mil metros cúbicos e 960 toneladas.

O itinerário com parada em Doha foi definido considerando a carga preciosa e cobiçada neste momento. Havia o temor de que, se a escala fosse feita em países atingidos fortemente pela pandemia de coronavírus, o material poderia ser retido.  

A preocupação aumentou depois de depois de uma carga de respiradores comprada pelo governo da Bahia ter ficado retida em Miami (EUA). O negócio foi cancelado pela empresa fornecedora e a suspeita é que o material tenha sido destinado para uso no país norte-americano.

A tendência é que os aviões brasileiros evitem paradas nos Estados Unidos e também na Europa, onde há muitos casos confirmados de coronavírus. Outras opções consideradas para escalas para os próximos voos são Israel, Dubai e Nova Zelândia.

Também está sendo considerada a utilização de voos em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), mas a avaliação é que os aviões militares são menores e demandariam mais voos, o que encareceria a operação.

As máscaras estão sendo produzidas por uma empresa de Wuhan, onde iniciou a epidemia de coronavírus. O embarque da mercadoria será no aeroporto de Guangzhou.

A expectativa é que cada voo leve cerca de 40 horas. Usualmente, uma carga com esse volume seria transportada por navio, mas isso levaria até 45 dias, um prazo que o governo não pode esperar no momento.

Na última sexta-feira, o governo publicou no Diário Oficial da União o extrato de dispensa de licitação informando a compra de 200 milhões de máscaras cirúrgicas e 40 milhões de máscaras N95 com filtro, no valor de R$ 694,320 milhões. O produto é essencial para proteger profissionais de saúde no atendimento a suspeitos e infectados por coronavírus.

Até agora, contratos para a compra de medicamentos e insumos de saúde eram feitos já com o frete incluído. Com a pandemia, no entanto, os países passaram a ser responsáveis por buscar os produtos na China, o principal fabricante mundial.

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