NELSON ALMEIDA / AFP
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São Paulo terá centro de contingência do coronavírus

Objetivo é monitorar e coordenar ações contra a propagação do novo coronavírus após primeiro caso brasileiro da doença ter sido confirmado na capital

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 15h18

SÃO PAULO - Após a confirmação do primeiro caso de uma pessoa infectada com o coronavírus no Brasil – um homem de 61 anos que vive em São Paulo e tinha viajado para a Itália – o governo do Estado decidiu criar um centro de contingência. O objetivo é monitorar e coordenar ações contra a propagação do novo coronavírus.

O centro, que será presidido pelo infectologista David Uip, será composto por profissionais do Instituto Butantan, médicos especialistas das redes pública e privada, e terá a supervisão do secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann. 

A equipe definiu na manhã desta quarta-feira, 26, os quatro hospitais que servirão de referência para o atendimento de casos graves, o Hospital das Clínicas de São Paulo (HCFMUSP), o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o HC de Ribeirão Preto, HC de Campinas, Hospital da Base de São José do Rio Preto e Emílio Ribas 2 no Guarujá. As seis unidades contam juntas com 4 mil leitos, sendo mil de UTI. 

"São mil leitos para as pessoas que forem diagnosticadas e tiverem quadro grave. Precisamos lembrar que o isolamento é técnico, nós temos tecnologia para isso e não é como o isolamento de antigamente. Nós isolamos o paciente, não a ala ou hospital inteiro", disse Uip. 

O infectologista, no entanto, destacou que a população não deve ficar alarmada com a circulação do vírus no País. Segundo ele, o Brasil tem experiência no controle de endemias e epidemias. "Nós barramos o H1N1 e outras infecções virais. Essa não é uma situação inédita para o País".   

O primeiro caso de Covid-19 no Brasil foi diagnosticado na terça-feira, 25, em um paciente do Hospital Israelita Albert Einstein. O hospital fez o primeiro exame, que depois foi confirmado pelo Instituto Adolfo Lutz, laboratório de referência nacional para análise de amostras casos suspeitos. O paciente esta estável, isolado em sua casa. Há outros 11 casos suspeitos na cidade. 

Conforme detalhado nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde. Ele chegou a São Paulo na sexta-feira, sem nenhum sintoma, em um voo que saiu do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, depois de ter ficado na região da Lombardia, na Itália, onde os casos se concentram naquele país, entre os dias 9 e 20 de fevereiro. 

Ele teve uma reunião de família com cerca de 30 pessoas no almoço e domingo e começou a sentir os sintomas logo depois. Foi para o hospital na segunda à noite e diagnosticado na terça. Pessoas que estavam próximas dele no avião e com quem ele se encontrou então sendo contactadas pelos agentes de saúde.

O hospital resolveu testá-lo para o coronavírus depois que o Ministério da Saúde tinha ampliado o rol de países dos quais viajantes deveriam ficar atentos para sintomas

Além da Itália, Austrália, China, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Camboja, Filipinas, Japão, Malásia, Vietnã, Cingapura, Tailândia, Alemanha, França, Irã e Emirados Árabes Unidos estão na lista de locais de origem ou transição definida pelo Ministério da Saúde no início da semana.  A mudança levou em conta o aumento de casos registrados fora do território chinês.

As autoridades de saúde pedem que pessoas que apresentarem os sintomas e tiverem um histórico de viagem para uma área com circulação do vírus ou mesmo que tenham tido contato com algum caso suspeito ou confirmado laboratorialmente que procurem um serviço de saúde mais próximo. "Quem apresentar sintomas, deve procurar uma unidade de saúde. Também deve usar máscaras se houver qualquer suspeita", disse Uip. 

 

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