FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Atraso na chegada de insumos aumenta fila de exames para coronavírus em SP

Cerca de 17 mil casos suspeitos aguardam o resultado de testes que diagnostiquem a covid-19; secretário estadual de Saúde fala em 'dificuldade' para comprar material

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2020 | 15h40

SÃO PAULO - O atraso na chegada dos testes para o novo coronavírus tem aumentado a fila de pacientes que ainda aguardam por seus exames. Em São Paulo, o número de pessoas que esperam resultados foi de 12 mil para 17 mil na última semana. 

O estoque de testes do governo estadual esgotou na semana passada, segundo relatou o secretário de Saúde, José Henrique Germann. Os exames têm sido feitos apenas por clínicas particulares, que são pagas pelo governo estadual para fornecer os resultados. O secretário também contou que ao menos um lote de testes, comprado de fabricantes no exterior, atrasou.

"Uma das remessas, (entre as) que nós estávamos esperando e comprando, não conseguiu chegar até agora", disse Germann. O lote estava previsto para ser entregue ao governo no domingo, e a previsão é de que chegue nos próximos dias. "Existe uma dificuldade da aquisição de insumos para a realização desses exames." 

O atraso deve deixar os números oficiais defasados em relação à quantidade real de contaminados e mortos. São Paulo tem um total de 4.861 casos de coronavírus, com 304 mortes, de acordo com os números divulgados pelo governo nesta terça, 7. Houve aumento de 5% no número de infectados e de 10% nas mortes, entre segunda e terça-feira. 

Segundo Germann, a entrega dos resultados não deve aumentar de forma significativa a contagem de mortos. "O número de óbitos com exames a confirmar é muito pequeno, então ele não vai interferir significativamente na questão relacionada a óbitos."

Na última quinta, 2, a Secretaria Estadual de Saúde realizou uma força-tarefa para zerar os casos de mortes que ainda aguardavam a confirmação do coronavírus. 

Hospital no Ibirapuera terá 268 leitos

O governo deu novos detalhes do hospital de campanha que será montado no Complexo Ginásio do Ibirapuera, anunciado na segunda. O complexo, o terceiro desse tipo na capital, terá um total de 268 leitos, e a previsão para o custeio da estrutura é de R$ 42 milhões. A maior parte das camas será destinada a casos de baixa complexidade, quando o paciente tem sintomas leves e não precisa de respiradores. 

Serão 240 leitos de baixa complexidade e 28 para estabilização, que recebem casos mais graves. Quando o paciente piora mesmo nas alas de estabilização, ele é encaminhado para a UTI de um hospital comum. 

O governo estadual prevê que 800 profissionais de saúde devem trabalhar no complexo do Ibirapuera, entre médicos, enfermeiros, paramédicos e auxiliares. A administração será feita por uma organização social. O hospital deve ser inaugurado no começo de maio.

O governo não descarta construir novos hospitais de campanha, além dos três já anunciados (Ibirapuera, Anhembi e Pacaembu). Segundo o coordenador do Centro de Contingência para A Covid-19 no Estado de São Paulo, David Uip, a necessidade de novos leitos vai depender do sucesso de medidas que restringem a circulação de pessoas

"Depende muito de nós conseguirmos manter e ampliar as medidas de distanciamento social", disse o infectologista. "Se nós conseguirmos aumentar o distanciamento social, que estava em média de 54%, para 70%, o número de leitos disponíveis no Estado de São Paulo será suficiente para essa primeira onda epidêmica." 

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