Timur Matahari/AFP
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Vacina de Oxford é eficaz contra variante inglesa do coronavírus, diz estudo

Análise recente mostra que a vacina é capaz de reduzir a carga viral e o tempo de eliminação do vírus, o que pode implicar na redução da transmissão da doença

Carla Menezes, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2021 | 11h34
Atualizado 05 de fevereiro de 2021 | 20h33

A vacina contra a covid-19 produzida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca é eficaz contra a B.1.1.7, nova variante do coronavírus em circulação no Reino Unido. De acordo com estudo preliminar divulgado pela universidade nesta sexta-feira, 5, a vacina tem eficácia similar entre a antiga e a nova variantes. 

O estudo, publicado em versão preprint, ou seja, antes de passar pelo processo de revisão por outros especialistas, também detalhou uma análise recente que mostra que a vacina é capaz de reduzir a carga viral e o tempo de eliminação do vírus, o que pode resultar na diminuição da transmissão da doença.

"Dados dos nossos testes da vacina no Reino Unido indicam que ela não protege apenas contra o vírus original causador da pandemia, mas também protege contra a nova variante, B.1.1.7, que causou a explosão de casos da doença no fim de 2020 no país", disse Andrew Pollard, chefe das pesquisas da vacina de Oxford. Segundo outro estudo publicado nesta terça-feira, 2, a eficácia da vacina pode chegar a 82,4% se o intervalo entre as duas doses for de 12 semanas ou mais.

A variante foi identificada no Reino Unido em dezembro e levou o governo a adotar novo lockdown em todo o país. A cepa já foi identificada em mais de 70 países, incluindo o Brasil, e é 56% mais contagiosa, o que pode ser ocasionado pela presença de um grande número de mutações na proteína spike, responsável pela fixação do vírus nas células humanas. 

Segundo a universidade, o estudo foi conduzido entre 1º de outubro e 14 de janeiro com voluntários infectados pela covid-19 - sintomáticos e assintomáticos - que participam dos estudos de fase 2 e 3 da vacina. Além de detectar que a eficácia contra a nova variante é similar a de versões antigas do coronavírus, os pesquisadores também detectaram menor carga viral entre os voluntários que receberam a vacina. Estes participantes também testaram positivo para a doença por menos tempo que os voluntários que receberam placebo. 

"Os coronavírus são menos propensos a mutações que vírus de influenza, mas sempre esperamos que, com a continuação da pandemia, novas variantes começariam a se tornar dominantes entre os vírus em circulação e que, eventualmente, uma nova versão da vacina, com uma proteína spike atualizada, seria necessária para manter a eficácia da vacina no mais alto nível possível", disse Sarah Gilbert, professora de Vacinologia e pesquisadora-chefe dos estudos clínicos da vacina de Oxford.

Outras vacinas

A farmacêutica Pfizer divulgou, no dia 8 de janeiro, que uma pesquisa feita em parceria com a Universidade do Texas indicou que a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela empresa americana e pela BioNTech é capaz de proteger contra as novas variantes do coronavírus descobertas no Reino Unido e na África do Sul. Os anticorpos presentes em amostras de sangue de 20 pessoas que receberam a vacina conseguiram combater as novas cepas do vírus em um estudo de laboratório.

A Moderna também afirmou que sua vacina contra o coronavírus manteve a eficácia ao ser usada contra as variantes identificadas primeiro no Reino Unido e na África do Sul. 

De acordo com a Novavax, uma análise preliminar dos estudos de fase 3 indicou que a candidata a vacina da empresa americana de biotecnologia é 85,6% eficaz contra a variante britânica. Nos testes realizados no Reino Unido, a variante foi identificada em mais de 50% dos casos. 

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